Assassinado candidato à Assembleia Constituinte venezuelana

José Luís Rivas Aranguren, de 42 anos, foi atingido a tiro quando se preparava para discursar

Um candidato à Assembleia Constituinte, promovida pelo Presidente Nicolás Maduro, foi assassinado a tiro na cidade de Maracay, Estado de Arágua, 100 quilómetros a leste de Caracas.

Segundo o Ministério Público, o assassínio ocorreu na passada segunda-feira e a vítima foi identificada como José Luís Rivas Aranguren, de 42 anos, num incidente em que outras duas pessoas ficaram feridas.

Rádios locais noticiaram que o crime ocorreu no estádio desportivo 23 de Enero, onde se encontravam vários candidatos à Assembleia Constituinte, quando a vítima se preparava para discursar, tendo sido atingida a tiro por um desconhecido que se pôs em fuga.

O Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (Cicpc), antiga Polícia Técnica Judiciária está a investigar o crime.

O Governo venezuelano iniciou domingo a campanha para o escrutínio de 30 de julho, quando serão eleitos os 545 membros da Assembleia Constituinte (AC) promovida pelo Presidente Nicolás Maduro.

Para Nicolás Maduro, a Assembleia Constituinte vai redigir uma nova Carta Magna, que deverá traduzir um "grande diálogo nacional e social, acabar com a corrupção e a burocracia, e centrada em ganhar a paz e isolar os violentos".

A nova Constituição deverá determinar a manutenção dos programas sociais conhecidos como "missões" criadas pelo falecido líder socialista Hugo Chávez, antecessor de Maduro, em matéria de habitação social, educação, saúde e cultura.

Os eleitos deverão promover novas formas de democracia participativa, e a democracia direta no social e político, além de dar valor constitucional às comunas e conselhos comunais.

A oposição acusa o Governo de avançar com um processo "fraudulento" e reclama que não houve consulta popular sobre as bases, argumentando que apenas o povo pode convocar uma Assembleia Constituinte.

Alega ainda que o regime pretende usar a Assembleia Constituinte para concluir a instauração de uma ditadura, acabar com a divisão e autonomia de poderes e perseguir a dissidência.

A convocatória para a eleição de uma Assembleia Constituinte, feita no passado dia 01 de maio pelo Presidente Nicolás Maduro, intensificou as manifestações da oposição que desde abril se registam no país depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento.

Pelo menos 93 pessoas foram assassinadas no âmbito dos protestos.

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