"Vamos avaliar pedido de teste de sanidade mental a Bolsonaro na próxima semana"

Líder parlamentar do PT diz ao DN que sempre soube que o atual presidente era uma pessoa desequilibrada mas "o vídeo obsceno, mesmo para os padrões dele, supera todos os limites"

O PT vai esperar uma reunião com todos deputados na próxima semana para decidir se avança com pedido formal de realização de teste de sanidade mental a Jair Bolsonaro, presidente da República. Quem o diz, em declarações ao DN, é Paulo Pimenta, o líder parlamentar do partido de Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Haddad na Câmara dos Deputados.

"Nós na Câmara dos Deputados conhecemos o Bolsonaro há muito tempo [o atual presidente exerceu cargo de deputado por 28 anos] e sempre soubemos que ele é uma pessoa desequilibrada nas atitudes e nas palavras", diz Pimenta. "Mas, mesmo para o padrão histórico dele, a publicação de um vídeo obsceno supera todos os limites aceitáveis para alguém que exerce um cargo público". "Ainda para mais o cargo público mais importante do país", completa.

Dessa forma, Pimenta, que lidera a bancada de 54 deputados do PT, a maior da câmara baixa do Congresso Nacional brasileiro empatada com o PSL, de Bolsonaro, embora já tenha defendido em público o teste de sanidade mental ao chefe de estado, deixa uma decisão formal para o coletivo que chefia. "Não descartamos um pedido formal para que ele realize um exame de sanidade mental mas vamos avaliar que medidas tomaremos exatamente no início da próxima semana com toda a bancada do partido na Câmara".

Além do líder parlamentar, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também se manifestou a propósito dos ​​​​​​tweets presidenciais. "Ele publica um vídeo onde aparece uma cena que eles diz combater, eu acho-o meio doido", afirmou nas redes sociais do seu partido.

O caso a que os dois membros do partido se referem é o da publicação no Twitter de Bolsonaro de um vídeo em que um homem coloca o dedo no próprio ânus e outro urina sobre um terceiro, no telhado de uma praça de táxis em São Paulo, durante os festejos de um bloco de carnaval. O presidente brasileiro pretendia demonstrar que a festa nacional brasileira tinha descambado para a depravação mas agiu em sentido contrário, fazendo o vídeo viralizar sem ter criado um filtro de segurança, deixando-o aberto até a crianças e jovens que o seguem nas redes sociais. Mais tarde, perguntou também pelo Twitter o que era "golden shower", o nome em inglês do fetiche sexual que os foliões protagonizaram.

Ao longo do carnaval, Bolsonaro publicou ainda uma marcha em resposta a críticas dos músicos Caetano Veloso e Daniela Mercury, insultou jornalistas e anunciou um processo nos tribunais a José de Abreu, o ator que, de forma satírica, se autoproclamou presidente da República.

As publicações de Bolsonaro, embora tenham sido defendidas por aliados, caíram mal em setores do governo. E foram consideradas deslocadas numa altura em que se aproxima o maior desafio do governo em 2019, a aprovação da impopular reforma da previdência social no Congresso Nacional.

Em São Paulo

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