Vai a Itália? Sentar ou comer junto a monumentos vale multas pesadas

As autoridades italianas estão a aplicar multas entre os 250 e 400 euros aos turistas que se sentam na Escadaria da Praça de Espanha e outros locais históricos. Há quem acuse a medida de "fascista".

Há anos que a famosa Escadaria da Praça de Espanha, também conhecida por Scalinata di Trinità dei Monti, é um local de visita indispensável no roteiro dos turistas que visitam Roma. Para descansar, apreciar o pôr-do-sol ou mesmo guardar numa fotografia a memória destes degraus, os degraus eram inundados por estrangeiros curiosos. Até agora. De acordo com o The Guardian, as autoridades italianas estão a proibir turistas e cidadãos locais de se sentarem em monumentos históricos. Entre eles, a célebre escadaria, património da UNESCO, que liga a praça de Espanha (piazza di Spagna) à Igreja da Santíssima Trindade dos Montes (Trinità dei Monti). Quem infringir pode mesmo enfrentar uma multa entre os 250 e os 400 euros.

A medida surge no âmbito de algumas regras urbanas que a cidade impôs recentemente e que visam a manutenção destes espaços. A partir desta semana, cada vez que alguém tentar sentar-se, o mais provável é que ouça um apito de um agente de autoridade que lhe pede para não o fazer. Caso seja avistado sentado, pode ser multado em 250 euros. Se danificar ou deixar resíduos nos degraus, este valor sobe para os 400 euros. A célebre escadaria de mármore serve apenas para transitar.

"Parece-me ser uma disposição de estilo fascista que o município será forçado a rever"

Autoridades acusadas de "fascismo"

As novas regras urbanas originaram duras críticas às autoridades locais, com a ideia a ser apelidada até de "fascista". "Proteger um monumento é bom, e obviamente não se deve comer nos degraus, mas a proibição de se sentar é realmente excessiva", disse o famoso crítico de arte e antigo vice-ministro da Cultura de Itália, Vittorio Sgarbi. E acrescentou: "parece-me ser uma disposição de estilo fascista que o município será forçado a rever". Também Claudio Pica, presidente da Fiepet-Confesercenti, em Roma, considerou a regra absurda e que será motivo de afastamento de turistas.

Nem às redes sociais o tema escapou. No Twitter, alguns utilizadores consideraram "ridículo" e "idiota" o método aplicado na cidade. "Uma vergonha! Super multas a caminho", alertam.

Mas há ainda quem apoie a proibição. "Concordo que as pessoas não devam acampar e comer nos degraus de monumentos, pois o lixo é deixado para trás", disse Tommaso Tanzilli, diretor da unidade de Roma da Federalberghi, associação comercial representativa dos interesses das empresas hoteleiras na Itália. Embora considere que "criminalizar as pessoas por se sentarem, especialmente se forem idosos, é um pouco exagerado".

Depois de anos de uso e desgaste, a Escadaria da Praça de Espanha, arquitetada entre 1723 e 1726 por Francesco de Sanctis, sofreu em 2016 obras de restauração no valor de 1,5 milhões de euros. O processo, financiado pela marca italiana Bulgari, envolveu mais de 80 restauradores e mestres artesãos. As novas regras urbanas, conhecidas localmente por Daspos, visam garantir que a melhor preservação deste e de outros monumentos daqui para a frente. Foram também aplicadas nas cidades de Florença e Veneza.

Um pouco por toda a Itália tornou-se proibido também cantar enquanto estiver bêbedo nos transportes públicos, pousar a boca sobre um bebedouro público, andar nu, arrastar malas de rodas pelas escadarias históricas, saltar em fontes, mergulhar os pés nos canais de Veneza, alimentar pombos, fazer castelos de areia em Eraclea (uma comuna italiana) e até passear com calçado que faça ruído na ilha italiana Capri.

Turistas, locais e até famosos já fugiram às regras e acabaram multados pelas autoridades italianas. Em julho, dois alemães foram multados no valor de 950 euros e foram convidados a abandonar Veneza depois de serem apanhados a preparar café num fogão de acampamento nos degraus da ponte de Rialto. Também a modelo alemã Heidi Klum e o marido foram multados em seis mil euros por terem mergulhado na Gruta Azul de Capri, local onde a natação é proibida.

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