Vacina contra a covid da Universidade de Oxford e da AstraZeneca retoma ensaios clínicos

Uma semana depois, regulador considerou que a vacina é segura e que os testes da terceira e última fase podem prosseguir.

A universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca anunciaram, este sábado, em comunicado, citado pelo jornal inglês The Guardian, que os ensaios clínicos da vacina contra a covid-19 vão ser retomados.

A vacina encontrava-se na terceira e última fase de testes, quando foi detetada uma reação adversa de um dos participantes no estudo do Reino Unido. O ensaio foi suspenso no dia 6 de setembro como "medida de precaução".

Agora, "o comité independente de avaliação da segurança e o regulador do Reino Unido, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde, concluíram que os ensaios clínicos são seguros e podem ser retomados", informa a Universidade.

Os investigadores envolvidos garantem que estão a agir de acordo com todas as normas de segurança e que continuarão a monitorizar "de perto" as reações à vacina, sem poderem, no entanto, dar mais explicações sobre o quadro clínico do voluntário inglês. Apesar disto, o jornal The New York Times revelou que o doente em causa desenvolveu uma inflamação que afeta a medula espinal.

A vacina da AstraZeneca tem sido considerada - até pela Organização Mundial de Saúde - como a mais relevante candidata no mercado. A Comissão Europeia já fez um acordo (a 27 de agosto) com a farmacêutica para reservar 300 milhões de doses para os estados membros, o que inclui Portugal.

"Através do contrato, todos os Estados membros poderão adquirir 300 milhões de doses da vacina AstraZeneca, com uma opção para mais cem milhões de doses, a serem distribuídas numa base proporcional à população", destacou, na altura, a instituição.

De acordo com os resultados dos primeiros ensaios clínicos, divulgados em julho passado, esta possível vacina "parece segura e gera anticorpos", mostrando então resultados promissores no que diz respeito a segurança e imunidade.

No entanto, os ensaios clínicos não têm sido isentos de percalços. Antes de terem sido suspensos em setembro, já o tinham sido em julho, porque um dos voluntários foi diagnosticado com esclerose múltipla, mas concluiu-se que a doença neurológica não estava relacionada com o antídoto em desenvolvimento.

A maioria dos especialistas reagiram a estas suspensões de forma positiva, defendendo que são sinal de que a qualidade está a ser privilegiada no processo.

"Em testes de larga escala, as doenças acontecem por acaso, mas devem ser revistas de forma independente para que sejam verificadas com cuidado", afirmou a AstraZeneca, quando, no passado domingo, o ensaio foi suspenso.

Os testes da fase 3 da vacina da AstraZeneca começaram no final de agosto nos EUA. Já os ensaios de fase 2/3 foram iniciados anteriormente no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul.

A vacina, denominada AZD1222, é uma das nove em todo o mundo neste momento no final da Fase 3 de ensaios em humanos e ainda pode chegar ao mercado no final deste ano, como afirmou o diretor executivo da empresa, Pascal Soriot, há dois dias.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG