Universidade de Harvard retira convite a Chelsea Manning para ser professora convidada

Universidade cedeu às pressões da CIA: Mike Pompeo, diretor, cancelou palestra em Harvard por considerar Manning uma "traidora"

Chelsea Manning não será, afinal, uma das professoras convidadas da universidade de Harvard no ano de 2017/2018: a universidade retirou o convite. A soldado transexual iria falar sobre questões de "identidade" da comunidade homossexual e transexual nas forças armadas dos EUA.

O convite foi retirado um dia após ter sido anunciado e depois de figuras destacadas da CIA terem protestado. Mike Pompeo, diretor da CIA, cancelou uma palestra que estava marcada para quinta-feira na Universidade de Harvard quando foi revelado que Manning daria aulas nesta instituição.

Pompeo, que descreveu a soldado como uma "traidora", disse, numa carta à universidade, que a "consciência e o dever para com os membros da CIA" não lhe permitiam aparecer no evento, já que isto significaria apoiar a decisão de Harvard e uma traição".

"Tem tudo a ver com a identidade dela como traidora dos Estados Unidos e a minha lealdade para com a CIA", continuou Pompeo, citado pela AP.

Michael Morell, antigo vice-diretor da CIA e professor em Harvard, também reagiu, pedindo a demissão.

Na sexta-feira, o reitor da universidade de Harvard, Douglas Elmendorf, veio a público admitir que foi um erro convidar Manning. "Não foi nossa intenção homenageá-la de alguma forma ou apoiar as suas palavras ou ações", explicou.

No Twitter, Manning escreveu que se sentia "honrada por ser a primeira mulher trans a ser desconvidada para ser professora convidada em Harvard".

"Eles silenciaram vozes marginais com a pressão da CIA", continuou a soldado, partilhando a carta da CIA onde Mike Pompeo cancela a palestra em Harvard.

Manning, de 29 anos, saiu em maio passado da prisão, ao fim de sete anos de detenção - uma quinta parte da pena a que tinha sido condenada - graças ao perdão presidencial que lhe foi concedido em por Barack Obama antes de abandonar o cargo, em janeiro de 2017.

Em 2010, quando era analista nos serviços de informações militares, Manning passou à WikiLeaks, do australiano Julian Assange, mais de 700 mil documentos confidenciais sobre as guerras do Iraque e Afeganistão, bem como mensagens do Departamento de Estado.

Depois de ser condenado enquanto homem, Manning revelou que se sentia mulher, trocou o nome de Bradley por Chelsea e submeteu-se a tratamentos para mudança de sexo.

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