Uma fotógrafa, um bebé, um casal de arquitetos. Os desaparecidos no incêndio em Londres

Muitas pessoas permanecem incontactáveis desde a madrugada de quarta-feira, altura em que as chamas deflagraram

Uma fotógrafa com trabalho reconhecido, um bebé de seis meses e um casal de arquitetos italianos estão entre as dezenas de pessoas dadas como desaparecidas depois do incêndio na Grenfell Tower, em Londres. Até ao momento, foram confirmadas 17 vítimas mortais, ainda que as autoridades acreditem que o número deve continuar a subir.

Segundo a AFP, cerca de 35 apelos para encontrar entes queridos desaparecidos foram feitos até esta quinta-feira, através da imprensa ou nas redes sociais.

Entre os desaparecidos encontram-se, por exemplo, Khadija Saye, a fotógrafa de 24 anos que recentemente tinha mostrado o seu trabalho na Bienal de Veneza. Vivia na torre com a mãe, Mary Mendy, que também está desaparecida.

Tony Disson, um avô de 65 anos, fez uma série de chamadas do apartamento em que vivia, dizendo que estava preso na casa de banho. O antigo corretor da bolsa deixou de atender o telefone pelas quatro da manhã de quarta-feira, depois de dizer a um amigo: "diz aos meus filhos que os amo". Disson é procurado pela filha, que no Facebook colocou uma mensagem dizendo: "Se alguém viu o meu pai, Tony Disson, por favor digam-nos. O meu coração está com todas as pessoas na Grenfell Tower".

Também Farah Hamdam, o marido Omar Bekladi e a filha de seis meses do casal estão desaparecidos, diz o pai de Farah, Rkia. "Estivemos em todos os hospitais e procurámos o dia inteiro mas ainda não os encontrámos, só queremos saber se estão bem", disse Rika ao jornal The Sun. As outras duas filhas do casal, de seis e dez anos, foram encontradas no hospital.

Marco Gottardi, de 27 anos, e Gloria Trevisan, da mesma idade, também estão desaparecidos. O casal de arquitetos italianos tinha-se mudado para Londres há cerca de três meses e teme-se que tenham perdido a vida no incêndio. "Nesta altura, dois cidadãos italianos estão desaparecidos", confirmou à AFP uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália. Segundo a imprensa local, Marco estava ao telefone com o pai e dizia-lhe que o fumo estava a subir quando a linha foi subitamente cortada. O casal vivia no 23.º andar.

Jessica Urbano, de 12 anos, também não foi localizada: falou ao telefone com uma tia, Sandra Ruiz, pouco depois de o incêndio ter começado, à 1:40 da manhã de quarta-feira. "Ela estava com um grupo de pessoas na escada de emergência, eles viviam no 20.º andar", contou a tia. "Estamos desesperados".

Sheila Smith, de 84 anos, é a pessoa desaparecida que tem mais idade: o filho, Adam, lançou um apelo no Twitter, pedindo a quem soubesse que lhe desse notícias da mãe desaparecida.

E Rania Ibrham, de 30 anos, que colocou um vídeo em direto no Facebook a pedir ajuda, mostrando um corredor cheio de fumo antes de voltar a entrar no apartamento em que morava, também não está contactável. Não foi possível saber, até agora, se está a salvo.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.