Um político absurdo demite-se por acreditar em Sacha Baron Cohen

Chama-se Jason Spencer, o deputado republicano da Geórgia que aparece de calças caídas a gritar "negro", no novo programa do comediante inglês, que ele pensava ser um treinador israelita de auto-defesa contra terroristas

É difícil perceber quem é o comediante, no segundo episódio da série Who Is America?. Sacha Baron Cohen - o inglês que criou personagens de ficção como Borat ou Ali G - está mais uma vez mascarado. Parece uma versão despenteada de Mr. Spock, com monocelha. Dá pelo nome de Coronel Erran Morad, a personagem. É um treinador israelita de artes marciais anti-terroristas. Mas à sua frente está um homem real, que tem um nome verdadeiro, mas não deixa de parecer mais ficcional que o humorista.

Jason Spencer é um eleito do povo da Geórgia, da região sudoeste daquele estado sulista - elitista e, neste caso, nada liberal. Mais concretamente, Spencer é o republicano que os eleitores de Woodbine escolheram para a Assembleia dos Representantes de Atlanta.

Só que, no segundo episódio da série de Baron Cohen, o político está de calças caídas, boxers vermelhos, a tentar agredir com as suas nádegas o coronel israelita.

Spencer não sabia que o treinador de técnicas anti-muçulmanas era, na verdade, um humorista a gozar com ele. Nas suas próprias palavras: "Ao fingir ser um agente israelita, (Cohen) fingiu oferecer-me exercícios de autodefesa. Por mais desconfortável que eu estivesse em participar, concordei, entendendo que essas "técnicas " me ajudariam, e a outras pessoas, a evitar o que eu acreditava ser um ataque inevitável. O meu medo era real naquela época, eu não estava pensando com clareza quando participei na sua 'aula'. Disseram-me que seria filmado como um "vídeo de demonstração" para ensinar aos outros as mesmas habilidades em Israel. Sacha e sua equipa mentiram-me, afirmando que eu poderia rever e ter a aprovação final de qualquer gravação usada. Arrependo-me profundamente da linguagem que usei a pedido de Cohen, bem como da minha participação na 'aula' em geral. Peço desculpas à minha família, amigos e às pessoas do meu distrito por este episódio ridiculamente feio", diz agora Spencer.

É que a sua participação na "aula", como lhe chama, revela mais do que um político ridículo, a fazer coisas risíveis. Spencer é convencido por Cohen a usar a "expressão proibida" - a "palavra começada por N" - a tirada racista, do sul dos EUA, de "negro".

E foi assim que, ao ser revelado o vídeo da série Who Is America?, Spencer foi forçado a demitir-se. Terminou o seu mandato estadual.

Na série, Cohen consegue a proeza de gozar duplamente com Spencer. Convence-o a dizer "negro", o politico diz, e logo a seguir o comediante critica-o: "Está maluco? Essa palavra não. É uma palavra revoltante." Spencer ouve e diz: "Percebi..."

Não terá percebido tudo - sobretudo a inutilidade do conselho para "baixar as calças e usar as nádegas para intimidar os terroristas do ISIS".

O presidente do parlamento estadual David Ralston não só qualificou a atuação de Spencer como "repreensível", como acrescentou: "A Geórgia é melhor do que isto."

O governador do estado, Nathan Deal, fez um tweet na segunda-feira, acrescentando dois adjetivos: "Aterrador e ofensivo".

Baron Cohen continua a fazer humor, já depois da demissão de Spencer. O seu alter ego israelita também publicou um tweet. "Não te preocupes Jason Shpenker [erro propositado], Erran Morad está a tomar conta do teu traseiro."

Talvez o humor seja a única forma de lidar com um político assim... Spencer já tinha, no passado, segundo revela a CNN, ameaçado a sua colega de parlamento LaDawn Jones de poder vir a ser alvo de um tratamento "definitivo", que talvez dispensasse as antigas "tochas" [do Ku Klux Klan].

Spencer cumpria o seu quarto mandato de eleito do povo, desde 2010.

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