Um morto em manifestação contra aumento do preço da gasolina no Irão

Um civil foi morto numa manifestação contra o aumento do preço da gasolina, no centro do Irão. O país atravessa uma grave crise económica e o anúncio do aumento em 50% do preço do combustíovel causou grandes protestos

Um morto e vários feridos é nesta sábado o balanço dos protestos contra o aumento em 50% do preço do país decretado pelo governo. "Infelizmente uma pessoa foi morta", disse Mohammad Mahmoudabadi, governador interino de Sirjan, citado pela agência de notícias Isna. A causa da morte não foi, no entanto, avançada.

Vários protestos e manifestações contra o aumento do preço da gasolina ocorreram na noite de sexta-feira no Irão e foram sobretudo "significativas" em Sirjan (centro), onde as "pessoas atacaram um depósito de gás na cidade e tentaram incendiá-lo", segundo a agência Irna.

Outros protestos ocorream em Mashhad (norte), no sul de Ahvaz, Shiraz, Bandar Abbas e Birjand (leste), mas também em Gachsaran, Abadan, Khoramshahr e Mahshahr, no sudoeste, com os manifestantes a chegarem a bloquear estradas.

O Irão, que vive uma grave crise económica, anunciou na sexta-feira o aumento em pelo menos 50% o preço da gasolina para reformar o caro sistema de subvenção dos combustíveis e lutar contra o contrabando.

No Irão, um dos países onde a gasolina é mais subsidiada, o preço do litro era até agora de 10.000 riais iranianos, menos de oito cêntimos de euro.

Cada condutor com um cartão para abastecer passará a pagar 15.000 riais (11 cêntimos de euro) por litro até um máximo de 60 litros por mês, indicou a Companhia Nacional Iraniana de Distribuição de Produtos Petrolíferos num comunicado. Além daquela quantidade, cada litro a mais custará 30.000 riais (22 cêntimos de euro).

Os cartões foram introduzidos em 2007, numa anterior reforma do sistema de subvenção dos combustíveis, tendo sido progressivamente abandonados antes de serem reintroduzidos em 2018.

As receitas da subida dos preços destinam-se a subsidiar 60 milhões de iranianos com necessidades, declarou o responsável pela Planificação e Orçamento, Mohammad Bagher Nobakht, citado pela Irna.

Encorajado pelo baixo preço, o consumo de combustível é elevado no Irão, onde os 80 milhões de habitantes consomem em média 90 milhões de litros por dia.

Os baixos preços conduzem ainda a um contrabando elevado, que a Irna estima entre 10 e 20 milhões de litros por dia, sobretudo para o vizinho Paquistão, onde o combustível é mais caro.

O contrabando foi estimulado pela queda do rial no mercado cambial, ligada à parte às sanções económicas restabelecidas a partir de meados de 2018 pelos Estados Unidos, após a sua retirada unilateral do acordo internacional sobre o nuclear iraniano de 2015.

A inflação é superior a 40% no Irão e, segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia deve contrair-se 9% este ano, antes de registar um crescimento de 0% em 2020.

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