Um líder para dez presidentes americanos. Mais um

Entre a chegada de Fidel ao poder em 1959 e a sua morte, foram 11 os inquilinos da Casa Branca com quem conviveu. Da visita a Washington no primeiro ano à crise dos mísseis, passando pela receção a Carter em Havana, são seis décadas de relação tensa. E ainda assistiu à eleição de Donald Trump.

Dwight Eisenhower

1953-1961

Foi a administração Eisenhower que suspendeu a venda de armas ao governo de Fulgêncio Batista, garantindo o sucesso da revolução de Fidel. E este foi mesmo recebido em Washington em 1959 pelo vice-presidente Nixon. Eisenhower evitou o encontro alegando ter uma partida de golfe. A crescente amizade de Fidel com a URSS e a recusa das empresas americanas em Cuba em refinar o petróleo soviético levou Fidel a decretar a nacionalização. Washington respondeu com um embargo à ilha em finais de 1960, Eisenhower quebra as relações diplomática com Cuba.

John F. Kennedy

1961-1963

Planeado na administração Eisenhower, o desembarque de exilados cubanos na Baía dos Porcos com o apoio dos EUA só foi operacionalizado, a 14 de abril de 1961, por Kennedy. Este esperava ver o povo revoltar-se contra Fidel, mas teve de recuar quando muitos combatentes foram capturados ou mortos. A tensão atingiu o auge em 1962, quando Washington descobriu que Moscovo colocara mísseis em Cuba. E apesar de Kennedy ter convencido Kruschev a retirá-los, as missões terão prosseguido até 1963. Entretanto, os americanos foram proibidos de viajar ou fazer transferências de dinheiro para Cuba.

Lyndon Johnson

1963-1969

Assassinado Kennedy em 1963, os EUA não abandonaram a ideia de derrubar Fidel. Mas o sucessor de JFK cumpriu a promessa de não tentar nova invasão. E em 1966 o governo americano abre as portas aos exilados cubanos, garantindo o direito a pedirem visto de residência a todos os habitantes da ilha comunista que conseguissem chegar à América numa tentativa para escapar ao regime de Fidel. No final do mandato, a atenção do governo americano começara já a virar-se para o Vietname e para os crescentes protestos contra esta guerra.

Richard Nixon

1969-1974

Como vice de Eisenhower, foi Nixon quem recebeu Fidel durante a sua visita aos EUA logo após ter subido ao poder, em 1959. Mas quando chegou à Casa Branca, o homem que em 1974 seria forçado a demitir-se devido ao escândalo do Watergate tinha a guerra do Vietname como grande preocupação. Talvez por isso tenha sido ele a pôr oficialmente fim a qualquer tentativa americana de derrube do regime de Fidel Castro.

Gerald Ford

1974-1977

Coube ao sucessor de Richard Nixon a primeira tentativa de normalização das relações entre os EUA e Cuba. Mas em dezembro de 1975 a iniciativa chega ao fim, depois de os cubanos enviarem tropas para apoiar o regime de Angola e de Havana ter dado o seu apoio ao movimento de independência de Porto Rico.

Jimmy Carter

1977-1981

Na última visita de Carter a Cuba, a imprensa oficial não poupou elogios a uma "pessoa decente e honesta". "Um amigo", nas palavras do próprio Fidel. Mas quando o Nobel da Paz estava na Casa Branca (1977-1981) a sua defesa dos direitos humanos era vista em Cuba como "uma desculpa" para os EUA se intrometerem noutros países. Também a declaração de que recebia "de coração aberto os cubanos" que fugissem da ilha provocou a ira de Havana. Apesar destas tensões, foi na administração Carter que EUA e Cuba abriram as respetivas secções de interesse em Havana e Washington.

Ronald Reagan

1981-1989

Quando os Estados Unidos descobriram que tropas cubanas estavam a construir uma pista de aterragem em Granada, Reagan não hesitou em enviar militares, em outubro de 1983. O possível uso militar da pista e um golpe de Estado na ilha das Caraíbas foram os pretextos para o que viria a ser o único confronto armado direto entre tropas americanas e cubanas. O balanço foi de 19 baixas para os EUA e 25 para Cuba. Mais tarde, Washington usou o apoio de Cuba aos rebeldes de El Salvador e ao regime sandinista na Nicarágua para justificar o envolvimento dos Estados Unidos nos conflitos da América Central.

George H.W. Bush

1989-1993

Com o desmantelamento da União Soviética, Cuba deixou de receber os seis mil milhões anuais com que Moscovo financiava Havana. Sem dinheiro, o regime de Havana deixa também de ser considerado como uma ameaça séria para a segurança dos EUA. Mas o fim da Guerra Fria não significa o fim do embargo, com Washington a reforçar o bloqueio comercial à ilha para enfraquecer o regime de Fidel. O Congresso proíbe as subsidiárias de empresas americanas de investir e os cidadãos americanos de regressarem à ilha.

Bill Clinton

1993-2001

Com Fidel a implementar em 1994 uma política de migração aberta, são 30 mil os cubanos a deixar a ilha para os EUA. O que leva Washington a ativar a Guarda Costeira. Foi ainda com Clinton que se deu uma das maiores controvérsias entre EUA e Cuba. Elián González era um menino de 7 anos cuja mãe se afogara ao tentar chegar aos EUA. Entregue a familiares em Miami, estes tentaram mantê-lo na América contra a vontade do pai, que exigia o seu regresso a Cuba. A justiça americana deu-lhe razão e Elián acabou por ser resgatado por agentes do FBI, numa operação espetacular, e entregue ao pai.

George W. Bush

2001-2009

A chegada ao poder do republicano coincidiu com o reforço do embargo a Cuba e da limitação das viagens de cidadãos americanos para a ilha. Também o envio de dinheiro foi limitado. No pós-11 de Setembro, os EUA acusam Cuba de desenvolver armas biológicas, vendo as tensões crescer também devido à base americana de Guantánamo, para onde a América enviou os suspeitos de terrorismo. Os Estados Unidos continuam a pagar a renda todos os meses. Mas Havana recusa o dinheiro. Bush anunciou ainda um programa para a transição democrática em Cuba após a saída dos irmãos Castro do poder.

Barack Obama

2009-2017

Com a chegada de Obama à Casa Branca, em janeiro de 2009, um ano depois de Raúl Castro substituir oficialmente o irmão Fidel no poder, as relações entre Washington e Havana melhoraram. Mas o momento de viragem surgiria em dezembro de 2014, quando Obama e Raúl anunciaram o início do processo de normalização das relações entre os dois países. Desde então houve trocas de prisioneiros, reabriram-se embaixadas, facilitaram-se viagens e negócios. E Obama foi a Cuba em março - o primeiro presidente dos EUA a visitar a ilha desde 1928. Levantar o embargo é que será uma decisão de Donald Trump, que em janeiro de 2017 assume a presidência.

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