UE precisa de sistema "de fonteiras do século XXI"

Eurodeputada do PS Maria João Rodrigues quer que líderes europeus deem aval político a conceito de fronteira inteligente na UE

Maria João Rodrigues lamenta que a União Europeia não tenha "uma liderança à altura", capaz de fazer aprovar medidas "abrangentes" para a gestão eficaz dos fluxos de migrantes e refugiados. A eurodeputada portuguesa do PS quer que a UE aprove um "sistema de fronteira do século XXI".

"Se a Europa tivesse uma liderança à altura era na cimeira com a Turquia que essas medidas deveriam ser discutidas", disse ao DN, defendendo a criação de "uma verdadeira fronteira europeia capaz de gerir e proteger Schengen e gerir o fluxo de refugiados com padrões humanitários".

"A fronteira europeia tem de ser entendida como um sistema de infraestruturas avançadas e serviços sofisticados, que deve cobrir funções que vão desde o controlo de fronteiras, gestão de movimentos de entrada e saída e apoio humanitário aos refugiados", adiantou a eurodeputada, que neste momento está a "tentar que esta ideia se concretize", esperando que o assunto seja colocado em cima da mesa dos líderes europeus, na cimeira da próxima semana, agendada para 17 e 18.

"Não se pretende construir um muro nem uma Europa fortaleza. Procura-se criar um sistema de fronteira do século XXI - e não um instrumento da Idade Média -, que permita desenvolver uma relação positiva entre a Europa e os países da sua vizinhança", explicou Maria João Rodrigues, considerada a ideólogo da Estratégia de Lisboa.

A infraestrutura em questão deverá fornecer "serviços de interesse comunitário geral", sendo capaz de fazer a "interligação com os centros de refugiados dos países de origem e dos países de trânsito e com os centros de acolhimentos nos Estados membros".

"Este é o conceito de base", que poderia ser entendido como fronteira inteligente. Mas, o projeto que "está em discussão, entre as instituições europeias e atores chave da sociedade civil europeia, é muito mais abrangente do que isso", sublinha Maria João Rodrigues.

Em Bruxelas

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