UE aceita adiar Brexit até 22 de maio. Mas com condições

O Conselho Europeu rejeitou em Bruxelas prolongar a data de consumação do Brexit até 30 de junho.

A União Europeia aceita a extensão do Brexit ao dia 22 de maio, desde que o acordo de retirada seja aprovado em Londres na próxima semana. Caso contrário a extensão será mais curta.

De acordo com as conclusões do conselho, que estão ainda a ser fechadas, a "União Europeia compromete-se a aceitar uma prorrogação até 22 de maio", desde que o Acordo de Retirada seja "aprovado pela Câmara dos Comuns na próxima semana".

O texto agora assinado propõe que uma alternativa, para o caso de, na próxima semana, o parlamento britânico, rejeitar (pela terceira vez) o acordo de Teresa May. Se essa condição se verificar, a primeira-ministra britânica terá de voltar a Bruxelas até ao dia 11 de abril, com uma nova solução, pois, a consequência de uma nova rejeição do acordo de retirada, será uma extensão mais curta, até 12 de Abril.

Nas várias versões do texto, que esteve em cima da mesa, durante a longa discussão, os líderes justificam a escolha da data, de 22 de maio, com oposição do governo de Londres em organizar eleições europeias, - que no Reino Unido decorreriam a 23 de maio. Ou seja, "dado que o Reino Unido não pretende realizar eleições para o Parlamento Europeu, nenhuma prorrogação é possível para além dessa data", pode ler-se no já referido projeto de conclusões.

O texto deixa clara a ideia que tem sido reiteradamente citada pelo negociador chefe da União Europeia para o Brexit, de que o o acordo de retirada não será reaberto. Por outro lado, os 27 comprometem-se a cumprir o acordo de Estrasburgo, com um instrumento interpretativo, que clarifique o caráter temporário do backstop para a Irlanda.

"O Conselho Europeu reitera que não pode haver abertura do Acordo de Retirada", refere o projeto de conclusões.

A oito dias da data marcada para a retirada do Reino Unido da União Europeia, Theresa May solicitou hoje, presencialmente, o adiamento do Brexit, confessando o "desgosto pessoal" pela situação.

"Este adiamento é um motivo de desgosto pessoal para mim", confessou, considerando que "uma curta extensão dará ao parlamento tempo suficiente para fazer uma escolha final para cumprir o resultado do referendo".

Com sinais visíveis de cansaço, ao fim de quase três anos de negociações, Theresa May manifestou-se também esperançada num Brexit ordenado. "Continuo a acreditar que podemos conseguir isso com um acordo. Continuo a trabalhar para garantir que o Parlamento pode concordar com o acordo para que possamos sair de forma ordeira", disse. Tal está, porém, dependente da aprovação do acordo de retirada, na próxima semana, em Londres.

"O que importa é que reconheçamos que o brexit é a decisão do povo britânico. Temos de garantir isso. Estamos há quase três anos nisto, desde o referendo", disse a primeira ministra.

Em Bruxelas

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