Turquia pede a embaixador israelita para deixar o país temporariamente

Medida serve como protesto pela morte de dezenas de palestinianos por balas israelitas

A Turquia pediu esta terça-feira ao embaixador de Israel em Ancara para deixar o país temporariamente, em protesto contra a morte de dezenas de palestinianos na segunda-feira por balas israelitas na faixa de Gaza, indicou um responsável turco.

O embaixador Eitan Naeh foi convocado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e foi-lhe pedido para "regressar ao seu país durante um certo tempo", declarou um responsável da diplomacia turca, um dia depois de Ancara chamar o seu embaixador em Telavive para consultas.

Segundo o Ministério da Saúde palestiniano, na segunda-feira nos confrontos na faixa de Gaza morreram 60 pessoas, oito delas menores, e 2.771 foram feridas, metade das quais a tiro, incluindo 225 menores.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, já tinha apelado hoje aos países muçulmanos que têm relações diplomáticas com Israel para as "reconsiderarem" em reação à violência da véspera.

Yildirim apelou ainda à realização na sexta-feira na Turquia de uma "cimeira extraordinária" da Organização de Cooperação Islâmica, que integra 57 membros.

O embaixador de Israel em Dublin também foi chamado ao Ministério dos Negócios da Irlanda, onde foi informado "do pedido irlandês de uma investigação internacional independente sobre os mortos de ontem (segunda-feira), conduzida pela ONU", e se lhe deu conta da "consternação (da Irlanda) face ao número de mortos e de feridos".

Na segunda-feira, a África do Sul anunciou a retirada do seu embaixador de Israel, numa condenação da "grave e indiscriminada natureza do último ataque israelita".

Os três principais partidos sul-africanos -- o Congresso Nacional Africano, no poder, a Aliança Democrática e os Combatentes pela Liberdade Económica -- juntaram-se ao governo na condenação da violência na fronteira da faixa de Gaza.

Com as mortes de segunda-feira aumentou para mais de 100 o número de palestinianos que perderam a vida na faixa de Gaza desde o início, a 30 de março, de um movimento de contestação designado "marcha de retorno", que reivindica o regresso dos refugiados palestinianos às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948.

Segunda-feira, dia da inauguração da embaixada norte-americana em Jerusalém, foi também o dia do conflito israelo-palestiniano mais sangrento desde a guerra do verão de 2014 no enclave palestiniano.

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