Trump volta a desvalorizar vírus e redes sociais bloqueiam-lhe vídeo

Foi a primeira vez que o Facebook removeu um post de Donald Trump considerando que se tratava de desinformação sobre o novo coronavírus. Twitter e YouTube fizeram o mesmo.

Facebook, Twitter e YouTube removeram um vídeo do Presidente norte-americano onde este volta a desvalorizar a pandemia. Donald Trump insistiu na quarta-feira, quando o número de infeções e mortes por covid-19 continua a aumentar no país, na ideia de abrir as escolas, com aulas presenciais, porque o coronavírus "vai desaparecer".

"A minha opinião é a de que as escolas devem abrir", disse Trump durante uma entrevista ao programa televisivo Fox & Friends, acrescentando que "isto (a pandemia do novo coronavírus) vai desaparecer, como as coisas desaparecem".

Na altura, o chefe de Estado dos EUA afirmou ainda que o vírus só afetou "uma parte relativamente pequena" do país.

Foi a primeira vez que o Facebook removeu um post de Donald Trump considerando que se tratava de desinformação sobre o novo coronavírus.

<>Andy Stone, porta-voz do Facebook, disse que o vídeo que Trump publicou na sua página da rede social "inclui declarações falsas de que um grupo de pessoas é imune à covid-19" e "isso é uma violação" das políticas da empresa "sobre desinformação".

Nos últimos meses, o Facebook foi criticado por legisladores e pelos seus próprios funcionários por não tomar medidas em relação às mensagens imprecisas ou inflamadas de Trump. A empresa já tinha removido anúncios da campanha eleitoral do Presidente dos EUA por aquelas quebrarem as regras de desinformação.

Também retirou publicações de Donald Trump e anúncios da campanha que mostravam um triângulo vermelho invertido, um símbolo que os nazis usavam para identificar os prisioneiros políticos, por violar a sua política contra o ódio organizado.

Uma entrada no Twitter com o mesmo vídeo retirado pelo Facebook permanecia, contudo, na conta pessoal de Trump nesta rede social.

"Redes sociais não são os árbitros da verdade"

"As empresas de media social não são os árbitros da verdade",Mais tarde, a publicação foi ocultada pela rede social, e um porta-voz do Twitter disse que o proprietário da conta @TeamTrump seria obrigado a remover o tweet antes de poder fazer um novo tweet.

Também o YouTube, através do seu porta-voz, anunciou ter retirado o vídeo por este violar a sua política de desinformação em relação à covid-19.

A entrevista original continua disponível na página de internet da Fox News, segundo a Reuters.

A campanha de Trump acusou as empresas de preconceito contra o Presidente dos EUA, alegando que o Presidente tinha apenas referido um facto.

"O Presidente declarou apenas um facto: as crianças têm menos probabilidades que os adultos de contrair o coronavírus", disse Parella.

"Eis mais provas de que o Silicon Valley é tendencioso contra o Presidente. As regras só são aplicadas num sentido. As redes sociais não são os árbitros da verdade", criticou.

Os Republicanos acusam regularmente o Facebook, Twitter e YouTube de censura e dizem que as empresas apoiam os democratas.

Os Democratas, por outro lado, defendem que o Facebook não modera o conteúdo com rigor suficiente, especialmente o que está relacionado com a desinformação e o incitamento ao ódio.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA disse que, embora os adultos constituam a maioria dos casos COVID-19 conhecidos até agora, algumas crianças e bebés ficaram infetados e podem transmitir o vírus a outras pessoas.

Uma análise da Organização Mundial da Saúde de 6 milhões de infeções entre 24 de fevereiro e 12 de julho descobriu que a proporção de crianças de 5 a 14 anos infetadas com o novo coronavírus era de cerca de 4,6%.

A justificar a sua insistência na abertura das aulas presenciais, Trump afirmou que "alguns médicos" dizem que "as crianças são "totalmente imunes" ao vírus, se bem que de imediato tenha recuado, dizendo que iria ser criticado por tal afirmação.

Contudo, repetiu: As crianças "são praticamente imunes a este problema e temos de abrir as nossas escolas".

Fauci discorda: crianças têm papel crucial na transmissão do vírus

Quem discorda desta opinião é o principal epidemiologista dos EUA, Anthony Fauci, que tem explicado por diversas vezes que a evidência científica indica que as crianças podem ter um papel crucial na transmissão comunitária do vírus.

<>Fauci admite a abertura das escolas, sempre que as condições de segurança o permitam, porque ajuda o desenvolvimento psicológico e nutricional dos estudantes.

A decisão de abrir as aulas presenciais vai ser tomada, em última instância, pelos cerca de 14.000 distritos escolares, repartidos pelo país, conforme a informação existente e as medidas tomadas nestas administrações.

No caso das escolas públicas de Chicago, o terceiro sistema escolar dos EUA, o próximo ano escolar vai começar em ambiente totalmente virtual, para todos os estudantes, por causa da pandemia, anunciou na quarta-feira este distrito.

"Valorizamos os comentários dos pais e não podemos ignorar que uma grande percentagem deles indicaram que não se sentem tranquilos a enviar os seus filhos (para as escolas), para o início do ano escolar", disse a diretora executiva do distrito, Janice K. Jackson, em comunicado.

No total,<>os<>EUA<> já ultrapassaram os 4,79 milhões de infetados e contabilizaram 157.266 mortes devido ao novo coronavírus, segundo a contagem mais recente da Universidade Johns Hopkins.

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