Imprensa americana diz que Trump retira EUA do Acordo de Paris

Presidente diz que anuncia oficialmente a decisão "nos próximos dias"

O presidente dos EUA, Donald Trump, terá decidido retirar os EUA do Acordo de Paris, avança o site de notícias Axios, citando duas fontes anónimas com conhecimento da decisão.

O anúncio formal de Trump estará iminente, mas o presidente dos EUA escreveu apenas no Twitter, já esta quarta-feira, que irá anunciar a decisão "nos próximos dias", acrescentando em letras maiúsculas o lema que forjou na campanha eleitoral: "Tornar a América grande outra vez".

Na cimeira do G7, na semana passada, Trump recusou apoiar o acordo, alegando que precisava de mais tempo para decidir. Mais tarde, no Twitter, escreveu que iria fazer um anúncio ainda esta semana, decisão que reiterou já esta manhã.

Os detalhes da forma como a saída será concretizada ainda estão em discussão, avança o Axios: uma pequena equipa, que inclui Scott Pruitt, administrador da EPA - a agência dos EUA para a proteção ambiental - está a trabalhar nos pormenores e a ponderar se os EUA iniciam uma retirada formal do acordo, que pode levar até três anos, ou se saem do tratado subjacente da Organização das Nações Unidas, o que seria mais rápido mas também mais radical.

A Fox News confirma a notícia avançada pelo Axios, citando uma fonte não identificada.

Um responsável da Casa Branca disse que Trump pode "usar ressalvas na linguagem" que vai usar para anunciar essa saída - deixando aberta a possibilidade de a decisão não ser final. Citada pela Associated Press, a mesma fonte pediu para não ser identificada, de forma a analisar a decisão antes do seu anúncio oficial.

A concretizar-se, esta medida de Trump seria um sinal de que a atual administração não quer deixar pedra sobre pedra do legado de Obama, avisando igualmente o resto do mundo que os EUA não dão prioridade à luta contra as alterações climáticas. Os únicos dois países que não apoiam, nesta altura, o Acordo de Paris, são a Síria e a Nicarágua.

Durante a campanha eleitoral, Trump criticou o Acordo de Paris e questionou as mudanças climáticas, um fenómeno que descreveu como "invenção" dos chineses, e já como Presidente decidiu iniciar um processo para verificar se os EUA deviam continuar como parte daquele acordo.

Ontem, no primeiro discurso que fez sobre alterações climáticas, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas considerou "absolutamente essencial" que o acordo de Paris contra as alterações climáticas seja concretizado, mesmo quando já se admitia que Trump pudesse mudar de posição.

António Guterres não evocou diretamente os recentes questionamentos de Donald Trump, mas afirmou que "se um governo coloca em causa a vontade e a necessidade mundiais quanto ao que respeita a este acordo, é uma razão para todos os outros se unirem ainda mais".

O Acordo de Paris, que foi acordado por quase 200 países na capital francesa em 2015, tem como objetivo limitar o aquecimento global, em parte reduzindo as emissões de dióxido de carbono. Ao abrigo deste pacto, os EUA comprometeram-se a reduzir as emissões em 26% a 28% até 2025.

Apesar da pressão do Presidente francês, Emmanuel Macron, e da chanceler alemã, Angela Merkel, a declaração final da cimeira do G7 reconheceu que os Estados Unidos "não estão em condições de chegar a um consenso" sobre a luta contra as alterações climáticas.

Nessa declaração, os membros do G7, exceto os EUA, reiteraram o compromisso em aplicar "rapidamente" o acordo de Paris.

Com Agências Reuters e Lusa

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