Trump quer corrida a dois com Ted Cruz. Sanders resiste a Hillary

Milionário e senador republicano do Texas dividiram vitórias nas primárias de sábado e estão próximos em número de delegados

"Acho que chegou a hora de [Marco Rubio] desistir da corrida. Quero um frente a frente com Ted Cruz", afirmou Donald Trump no sábado à noite (madrugada de ontem em Lisboa). O magnata do imobiliário acabara de ganhar as primárias republicanas no Kentucky e Louisiana, perdendo o Kansas e Maine para o senador do Texas. O grande derrotado da noite foi mesmo Rubio. O senador da Florida, que deposita todas as suas esperanças de voltar à corrida no dia 15, quando o seu estado vai a votos, ficou num longínquo terceiro lugar, ou mesmo em quarto, no Maine, atrás do governado John Kasich.

Perante estes resultados, Trump e Cruz estão cada vez mais empenhado num duelo para determinar qual deles conseguirá a nomeação republicana para as presidenciais de 8 de novembro nos EUA. "Marco Rubio teve uma noite muito má e pessoalmente peço-lhe que desista. Acho que chegou a altura", garantiu Trump. Sem nunca pronunciar os nomes de Rubio ou Kasich, Cruz juntou-se também à pressão para uma corrida a dois, afirmando: "Enquanto continuarmos divididos, Donald estará em vantagem".

Nem Rubio nem Kasich se pronunciaram sobre os apelos dos adversários, com o senador da Florida já em Porto Rico, onde ontem esperava obter uma vitória nas primárias do território que escolhe os nomeados dos partidos mas não vota em novembro. E se é verdade que com 35 delegados até agora (para obter a nomeação são precisos 1237), o governador do Ohio tem poucas hipóteses de ser o candidato republicano, a verdade é que parece pouco provável que desista antes do dia 15 e das primárias no seu estado, onde o vencedor fica com todos os 66 delegados. Quanto a Rubio - que neste momento tem 128 delegados à convenção de Cleveland, de 18 a 21 de julho - ainda não está fora da corrida, sobretudo se conquistar os 99 delegados da Florida.

Ted Cruz, com os seus 300 delegados, face aos 382 de Trump, surge no entanto cada vez mais como o único candidato capaz de travar o milionário do imobiliário. Por muito que essa não fosse a primeira opção do establishment do partido. Mais convencidos com Rubio, algumas figuras-chave do partido tentaram na semana passada travar Trump de todas as maneiras possíveis. Os dois últimos candidatos presidenciais, John McCain, em 2008, e Mitt Romney, em 2012, juntaram-se ao coro de críticas contra o milionário e ex-estrela de reality show, apelando aos eleitores para que não votem nele.

Ódio de estimação

Apesar de odiarem Ted Cruz, pelo seu historial de solitário que não hesita em desafiar o próprio partido e as suas elites no Senado, o establishment republicano poderá ter de acabar por o apoiar, caso se venha a confirmar que é mesmo a melhor opção para derrotar Trump - o outro ódio de estimação do núcleo duro republicano.

As últimas derrotas de Trump revelam a sua vulnerabilidade em estados onde o nomeado é escolhido através de caucus, exigindo mais organização por parte da campanha do candidato para dominar estas assembleias populares. O New York Times sublinhava ontem que o milionário "teve melhores resultados em estados que organizam primárias, exigindo menos organização, e sobretudo nos que permitem aos democratas e aos independentes votarem nas eleições republicanas".

Do lado democrata e com a corrida reduzida a dois, a noite foi de Bernie Sanders. O senador do Vermont venceu de forma clara no Kansas e no Nebraska, perdendo a Louisiana para Hillary Clinton, mais uma vez a beneficiar do voto negro no Sul. Com estes resultados, Sanders continua longe da ex-primeira dama em termos de delegados - tem 481 face aos 1121 de Hillary (são precisos 2383 para garantir a nomeação democrata). Mas ao vencer mais dois estados, o autoproclamado socialista democrático manteve-se da corrida. "Temos o caminho aberto para a vitória", garantiu ontem Sanders na ABC News.

Com um forte apelo junto dos mais jovens e dos eleitorados mais liberais, onde a sua mensagem antissistema é muito bem recebida, Sanders sabe que o Sul é o seu ponto fraco, com Hillary a conseguir o voto negro e hispânico. Por isso quer esperar até abril e maio, quando as primárias voltam para estados que, teoricamente, lhe são mais favoráveis. "Temos boas hipóteses em Washington, no Oregon. Também em grandes estados como Nova Iorque. E podemos surpreender no Michigan" já amanhã, garantiu o senador de 74 anos. Já Hillary preferiu garantir: "Não interessa quem ganha a nomeação democrata, mesmo nos nossos piores dias, seremos melhores do que os republicanos". Para ontem à noite estava previsto mais um debate democrata.

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