Trump pressionou Austrália a desacreditar investigação sobre interferência russa

Após telefonema polémico com o líder ucraniano, que desencadeou o processo de 'impeachment', jornal norte-americano revela mais uma chamada telefónica do presidente dos EUA, desta vez ao primeiro-ministro australiano Scott Morrison.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, para tentar obter informações que desacreditassem a investigação de interferência russa nas eleições presidenciais, revelou o The New York Times.

O jornal refere que Trump pediu a Morrison para que este ajudasse o procurador-geral dos EUA, William Barr, a esse respeito, um dado revelado por dois funcionários norte-americanos conhecedores desta chamada telefónica.

A Austrália já confirmou o telefonema entre os dois. "O governo australiano esteve sempre disponível a ajudar e cooperar com os esforços que visam clarificar os aspetos que são objeto de um inquérito", disse um porta-voz do governo à estação de televisão pública ABC. "O primeiro-ministro confirmou esta disponibilidade mais uma vez numa conversa com o presidente", acrescentou.

Terá sido o embaixador da Austrália nos EUA, Joe Hockey, o primeiro a oferecer a ajuda do país para a investigação, depois de Trump ter dito que esperava que Barr investigasse a Austrália. Terá sido uma denúncia das autoridades australianas ao FBI que ajudou a lançar o inquérito sobre as ligações da campanha de Trump à Rússia, depois de um ex-conselheiro de Trump ter dito ao antigo alto-comissário australiano no Reino Unido que Moscovo tinha provas incriminatórias contra a democrata Hillary Clinton.

A revelação do novo telefonema, que terá sido feito pouco tempo antes do jantar de Estado oferecido a Morrison na Casa Branca, em setembro, surge depois de já terem sido desencadeados os procedimentos de impeachment contra Trump, por causa de outra chamada telefónica, com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no qual Trump pressionou os ucranianos a investigarem o filho do rival político, o ex-vice-presidente democrata Joe Biden.

"Como essa chamada, a discussão de Trump com o primeiro-ministro australiano mostra que o presidente está a usar diplomacia de alto nível para fazer avançar os seus interesses políticos pessoais", escreveu o The New York Times, indicando que tal como no outro telefonema, o acesso à transcrição deste também foi limitado a algumas pessoas dentro da Casa Branca. O que faz aumentar as suspeitas de que os funcionários estarão a tentar ocultar alguns contactos de Trump com outros líderes internacionais.

A nova conversa com Morrison também enfatiza, de acordo com o The New York Times, o facto de Trump entender o procurador-geral como um de seus principais aliados para impedir a investigação das eleições passadas, iniciadas pelo ex-procurador especial Robert Mueller.

As informações obtidas pela imprensa revelam que a ligação para Morrison, realizada nas últimas semanas, tinha o único objetivo de pedir ajuda do Departamento de Justiça em relação à investigação de Mueller.

Uma das fontes do jornal acrescenta que foi o procurador-geral que pediu a Trump que contactasse Morrison para esse fim.

Barr iniciou este ano uma revisão da investigação da alegada interferência russa nas eleições presidenciais de 2016, nas quais foi eleito Donald Trump, para tentar determinar se as forças de segurança ou unidades de inteligência haviam agido de forma inadequada quando decidiram realizar essas investigações.

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