Trump ordena ataque ao Irão e depois recua

Uma operação de retaliação depois de um drone norte-americano ter sido abatido já estava em marcha. Radares iranianos e baterias de mísseis eram alguns dos alvos.

Donald Trump tinha ordenado um ataque ao Irão como retaliação pelo abate de um drone norte-americano. De acordo com o New York Times, o ataque teria lugar esta sexta-feira de manhã e os navios e aviões já estavam preparados, mas a operação foi cancelada.

Os ataques teriam como alvos radares iranianos e baterias de mísseis e estavam programados para acontecerem antes do amanhecer desta sexta-feira para minimizar o risco para os militares iranianos ou civis, acrescentou o jornal.

"Os aviões estavam no ar e os navios estavam em posição, mas nenhum míssil foi disparado" quando chegou a ordem para abortar a operação, avança o NYT, citando um alto funcionário do governo dos EUA.

A Associated Press citou também uma autoridade dos EUA dizendo que os ataques foram recomendados pelo Pentágono e que Donald Trump passou a maior parte do dia de ontem a discutir a questão do Irão com os seus conselheiros de segurança nacional e com os líderes do Congresso.

O documento diz que o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o conselheiro de segurança nacional, John Bolton, defendiam uma retaliação, mas os líderes do Congresso pediram cautela.

A presidente da Câmara Democrática, Nancy Pelosi, disse que os EUA não estão interessados numa guerra com o Irão, enquanto o principal candidato democrata à presidência, Joe Biden, chamou a estratégia do Irão de Trump de "desastre autoinfligido".

Os Guardas da Revolução do Irão anunciaram esta quinta-feira terem abatido um avião não tripulado norte-americano, em violação do espaço aéreo no sul do país, numa nova escalada de tensão entre Washington e Teerão. Os EUA confirmaram ter perdido o aparelho, mas alegam que este estava em espaço aéreo internacional, sobre o estreito de Ormuz.

De acordo com a Press TV, o canal de informação em inglês da televisão estatal iraniana, um modelo Global Hawk, da empresa norte-americana Northrop Grumman, "foi abatido pela força aérea" de Teerão, na província costeira de Hormozgan, no sul do Irão.

A televisão estatal não forneceu, contudo, imagens do drone abatido.

Donald Trump reagiu, no Twitter, dizendo que o Irão cometeu "um grande erro".

Uma fonte oficial norte-americana confirmou à Reuters o abate do aparelho, mas revelou que este estava a sobrevoar o estreito de Ormuz, em águas internacionais. O responsável, que quis manter o anonimato, indicou que o drone é um MQ-4C Triton, da marinha norte-americana, que segundo o fabricante, Northrop Grumman, pode voar durante 24 horas a altitudes superiores a 16 mil metros e um alcance operacional de 8200 milhas náuticas.

Este incidente ocorre num contexto de fortes tensões entre o Irão e os Estados Unidos e depois de, na passada quinta-feira, dois petroleiros, um norueguês e um japonês, terem sido foram alvo de ataques no estreito de Ormuz.

Exclusivos

Premium

Liderança

Jill Ader: "As mulheres são mais propensas a minimizarem-se"

Jill Ader é a nova chairwoman da Egon Zehnder, a primeira mulher no cargo e a única numa grande empresa de busca de talentos e recursos. Tem, por isso, um ponto de vista extraordinário sobre o mundo - líderes, negócios, política e mulheres. Esteve em Portugal para um evento da companhia. E mostrou-o.