Trump mantém pressão sobre o procurador-geral dos EUA com novas críticas

Presidente critica o primeiro senador a apoiar a sua candidatura à presidência

O Presidente norte-americano, Donald Trump, manteve esta terça-feira a pressão sobre o procurador-geral, Jeff Sessions, criticando o ex-senador do Alabama pela posição "muito fraca" do Departamento de Justiça perante "os crimes de Hillary Clinton", a candidata presidencial democrata.

"O procurador-geral [o equivalente ao ministro da Justiça em Portugal] Jeff Sessions assumiu uma posição muito fraca sobre os crimes de Hillary Clinton", escreveu Trump, numa breve mensagem divulgada hoje na sua conta pessoal no Twitter, utilizando mais uma vez letras maiúsculas para expressar uma crítica, desta vez contra o homem que foi o primeiro senador americano a apoiar a sua candidatura presidencial.

A referência aos crimes de Hillary Clinton está relacionada, por exemplo, ao assunto das mensagens de correio eletrónico da ex-secretária de Estado norte-americana e ao caso dos vários milhares de e-mails internos do Comité Nacional Democrata (CND) que foram divulgados publicamente em julho de 2016.

Numa mensagem seguinte, Trump denunciou ainda que o atual diretor interino do FBI (polícia federal norte-americana) e responsável pela investigação a Hillary Clinton, Andrew McCabe, terá recebido dinheiro da ex-secretária de Estado.

Andrew McCabe foi o nome que substituiu James Comey na direção do FBI, que foi demitido de forma repentina, a 9 de maio, numa altura em que estava a supervisionar uma investigação sobre os alegados contactos mantidos entre a campanha de Trump e a Rússia durante a corrida às presidenciais nos Estados Unidos.

Nas últimas semanas, Jeff Sessions tem estado sob o holofote das críticas de Donald Trump, que, segundo noticiou hoje a agência norte-americana Associated Press, tem falado com diversos conselheiros sobre a possibilidade de demitir o procurador-geral e as eventuais consequências dessa decisão.

Numa recente entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que nunca teria mantido Sessions em funções caso soubesse que este iria pedir escusa de uma investigação dirigida pelo seu próprio Departamento, neste caso concreto, sobre a alegada ingerência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de novembro do ano passado.

"Jeff Sessions aceita o cargo, entra para o cargo, pede escusa, o que - francamente - acho que é muito injusto para com o Presidente", declarou na altura Trump ao jornal.

"Como é que se aceita o cargo e depois se pede escusa? Se ele tivesse pedido escusa antes do cargo, eu teria dito 'obrigado Jeff, mas não te vou aceitar.' É extremamente injusto - e isso é dizer pouco - para com o Presidente", acrescentou.

Em reação a estas declarações do Presidente dos EUA, Jeff Sessions disse que tencionava permanecer no cargo

"Adoro este trabalho, este Departamento [de Justiça] e planeio continuar a fazê-lo enquanto for apropriado", afirmou Sessions.

Em declarações a um programa do canal Fox News, a nova porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, admitiu hoje que a frustração de Trump em relação a Jeff Sessions não desapareceu e que possivelmente irá manter-se.

No mesmo programa, a porta-voz deixou em aberto o possível afastamento do atual procurador-geral.

"Acho que é uma decisão que, se o Presidente quiser assumir, ele irá certamente tomar, irá continuar em frente e concentrar-se em outras coisas. Mas a frustração não desapareceu. E penso que não irá passar", disse Sarah Huckabee Sanders.

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