Trump limita jornalistas a uma pergunta para manter acesso à Casa Branca

Restrições impostas aos jornalistas acreditados na Casa Branca após conflito entre o presidente e correspondente da CNN.

Donald Trump, após um juiz obrigar a Casa Branca a devolver o cartão de acesso ao jornalista Jim Acosta, da CNN, decidiu limitar os repórteres a uma única pergunta dirigida ao presidente dos EUA em conferências de imprensa.

Trata-se de uma medida inédita na longa e muitas vezes conflitual relação entre os presidentes norte-americanos e os correspondentes acreditados junto da Casa Branca, que está a gerar fortes preocupações junto de especialistas do setor.

A impossibilidade de contrapor uma nova questão a Donald Trump, a não ser por sua autorização expressa ou de funcionários da Casa Branca, é vista como uma forma de intimidar os jornalistas e condicioná-los na sua interação profissional com o chefe do Estado norte-americano.

"A Casa Branca pertence ao público, não ao presidente, e o trabalho da imprensa é fazer perguntas difíceis em vez de ser uma companhia educada", afirmou Ben Wizner, da União das Liberdades Cívicas Americanas (ACLU, sigla em inglês).

Este responsável defendeu ainda a revisão dessas novas regras, para que "nenhum jornalistas seja expulso da Casa Branca por fazer o seu trabalho".

Com Donald Trump a acusar sistematicamente os jornalistas de serem "inimigos do povo", o novo regulamento abre a posta ao tratamento seletivo dos repórteres que participem nessas entrevistas coletivas na Casa Branca: os críticos seriam punidos e os outros teriam o privilégio de continuar a questionar o presidente dos EUA, argumentou Will Youmans, professor de jornalismo na Universidade George Washington.

Para Gabe Rottman, diretor do Comité dos Repórteres pela Liberdade de Imprensa e também ligado à ACLU, "os jornalistas fazem sempre mais do que uma pergunta, porque é da natureza do seu trabalho aprofundar" um tema. Daí, adiantou, que esta seja "uma tentativa clara de intimidar os profissionais para não fazerem perguntas difíceis".

Certo é que, no caso do chefe dos correspondentes da CNN junto da Casa Branca e da própria estação, a Casa Branca já os informou que voltará a retirar o cartão de Jim Acosta no fim do prazo de 14 dias dado pelo tribunal - caso não seja renovado.

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