Trump insiste em armar professores, lóbi das armas em desacordo

Presidente dos EUA e NRA em choque sobre segurança nas escolas e limitações ao acesso às armas.Trump alerta que segunda emenda está em risco se democratas ganharem intercalares

Donald Trump insistiu ontem na solução de armar professores e funcionários das escolas como medida de segurança contra ataques armados. Em discurso no Congresso anual dos conservadores (Conservative Political Action Conference), o presidente norte-americano admitiu não estar em sintonia com a associação pró-armas NRA.

Uma hora e quinze minutos de Trump a ser Trump para os seus fãs, e que incluiu momentos como o de estar a ver-se num monitor e dizer "que bela imagem, vejam só, adorava ver aquele tipo falar", para gáudio da audiência. Depois virou-se de costas e afirmou que tenta esconder uma calva. No palco de Oxon Hill, Maryland, sentiu-se em casa e saiu tanto do discurso preparado no teleponto que repetiu temas e acabou por fazer uma breve menção às novas sanções à Coreia do Norte, quando era esperado que fosse parte importante da mensagem.

O tom ora foi festivo ora de pré-campanha. Por mais de uma vez Trump apelou para a participação nas eleições intercalares deste ano. "Não podemos ser complacentes. Se os democratas ganham vão retirar os nossos cortes de impostos e tirar-nos a segunda emenda [da Constituição, sobre a liberdade de porte de armas]. Isso não pode acontecer."

O momento de seriedade estava reservado para a questão da segurança nas escolas, na sequência do "malvado massacre que chocou a nação" em Parkland, Florida, na semana passada. Depois de dizer que "nenhuma família devia passar por este sofrimento", garantiu que vai tomar medidas.

Pegou nas palavras de um pai de uma estudante morta, que o confrontou na Casa Branca ("protegemos os nossos aeroportos e bancos mas não as nossas escolas") e afirmou que "é tempo de as escolas serem um alvo muito mais difícil". Voltou a criticar as escolas como zonas livres de armas e reiterou a ideia de ter professores e funcionários "bem treinados", com armas dissimuladas. "Não quero armar todos os professores. Quem nunca pegou numa arma não o vai fazer. Podem ser 10 ou 20%, mas já são muitos. Há dois dias muita gente opunha-se e agora concorda", comentou.

A NRA não mudou de ideias. Defende seguranças armados nas escolas e opõe-se a toda e qualquer limitação relativa à venda e posse de armas. "Aumentar a idade [de 18 para 21 anos] não vai resolver as psicoses", comentou a porta-voz Dana Loesch. Ontem, Trump não se referiu a essa medida (dois dias antes garantira que iria ter o apoio da NRA), mas assumiu discordância com o poderoso lóbi. "Ninguém gosta mais do que eu da segunda emenda e da NRA, mas temos de apertar os antecedentes criminais. E os doentes mentais não podem ter armas. Não podemos ser moles."

O presidente dos Estados Unidos aproveitou ainda para declarar guerra "por todos os meios" à criminalidade violenta. "Todas as crianças merecem crescer numa comunidade segura."

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