Sanders ultrapassa Hilary no Michigan, Trump leva três estados

Quatro estados votaram esta terça-feira nos EUA. Do lado republicano, a maioria escolheu Trump, do democrata, ficam divididos entre Clinton e Sanders

Hilary Clinton e Donald Trump permanecem na liderança nos respetivos partidos após as eleições primárias de terça-feira à noite nos Estados Unidos, em que quatro estados votaram para escolher o nomeado do partido republicano e dois para escolher o do partido democrata para a corrida à Casa Branca.

Trump levou três estados: o Havai, o Michigan e o Mississípi, sendo superado pelo seu principal rival Ted Cruz no estado do Idaho. Do lado dos democratas, a noite ficou dividida, com Clinton a vencer no Mississípi e Bernie Sanders a sair vencedor, de surpresa, no estado do Michigan.

A vitória de Bernie Sanders no Michigan está a dar que falar, por ser uma demonstração de que o candidato mais à esquerda do partido democrata é capaz de juntar apoio em estados com maior percentagem de negros, onde demonstrara ter muitas dificuldades em primárias anteriores. A vitória foi surpreendente por contrariar sondagens que mostravam Sanders a aparecer mais de 21 pontos percentuais abaixo de Hilary Clinton.

"O que esta noite mostra é que a campanha de Bernie Sanders, a revolução do povo de que temos estado a falar, é forte em todas as partes do país, e francamente acreditamos que as nossas áreas mais fortes ainda não se manifestaram", disse Sanders num discurso de vitória proferido em Miami, no estado da Florida.

Na terça-feira da próxima semana, dia quinze de março, votam estrados como o Ohio, o Ilinóis e o Missouri, cujos perfis são parecidos com o do Michigan e poderão criar novas batalhas renhidas entre os dois candidatos à nomeação do partido democrata. Como sublinha o jornal The Guardian, Clinton ganhou por largas margens nos estados do Sul na superterça-feira, na semana passada, mas ainda não venceu por uma margem significativa em nenhum estado do Norte dos EUA.

Esta terça-feira, Clinton venceu no Mississípi, e a sua liderança em termos de delegados (leia mais abaixo para perceber melhor como funciona essa contagem) não foi abalada pela vitória de Sanders, mas esta levanta dúvidas para aqueles que acreditam que Clinton "já venceu".

Do lado republicano, o anti-establishment continua invicto

Dos quatro estados que votaram esta terça-feira para escolher o nomeado do partido republicano para a Casa Branca, três escolheram o empresário Donald Trump: o Havai, o Mississipi e o Michigan. O controverso candidato só foi derrotado no estado do Idaho, pelo seu maior rival, Ted Cruz, também ele um candidato considerado de 'fora' da máquina partidária do partido republicano dos EUA.

Ambos os candidatos que permanecem em frente nas primárias republicanas têm tido declarações polémicas, mas o candidato mais próximo do partido, Marco Rubio, ainda só foi capaz de vencer os dois favoritos em duas eleições: no estado do Michigan e no território de Porto Rico.

O que conta são os delegados

As eleições primárias de cada partido - que servem para escolher o candidato a ser apresentado à Casa Branca por cada um dos lados - não se decidem pelos estados vencidos. Cada estado tem um certo número de delegados - dependendo da sua população - que são atribuídos aos candidatos de duas formas: ou proporcionalmente (60% dos votos num determinado estado é igual a 60% dos delegados ganhos) ou na totalidade (o vencedor num estado fica com todos os delegados). O método escolhido depende do estado.

Esses delegados vão depois para a convenção nacional do partido democrata ou republicano para escolher o seu candidato à Casa Branca. Seguem-se a campanha e as eleições nacionais para escolher entre o candidato democrata e o republicano para presidente dos Estados Unidos (pode haver candidatos independentes, embora não seja habitual terem muita visibilidade).

Do lado dos republicanos, um aspirante a vencedor tem de reunir 1237 delegados. Neste momento, Donald Trump está a frente no número de delegados, com 419. Seguem-se-lhe Ted Cruz com 326 e Marco Rubio com 146. O quarto candidato, John Kasich, soma apenas 51.

Do lado dos democratas, Hillary Clinton e Bernie Sanders precisam de juntar 2382 delegados para superar o outro na convenção nacional. Clinton vai à frente com 1220 delegados, enquanto Sanders tem apenas 571. As primárias democratas têm uma particularidade, porém: os superdelegados.

Os superdelegados são delegados que podem votar como entenderem na convenção nacional, independentemente da percentagem dos votos nos seus estados. Assim, Hillary Clinton tem 1220 delegados dos quais 461 são superdelegados - quando chegarem à convenção nacional, alguns desses 461 podem decidir votar em Sanders. O mesmo se aplica aos 25 superdelegados que Sanders reuniu nas últimas eleições.

As eleições primárias continuam até junho, e incluem territórios que não têm estatuto de estado como Guam, Porto Rico ou as Ilhas Virgens Americanas.

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