"Trump está ansioso por negociar com um Reino Unido independente da UE"

Conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos Estados Unidos antecipou em entrevista à Sky News a visita de Donald Trump ao Reino Unido entre os dias 3 e 5 de junho

Donald Trump está ansioso por trabalhar e negociar com um Reino Unido "totalmente independente" depois do Brexit. Quem o diz é o conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos EUA, John Bolton, em entrevista à Sky News.

"O presidente Trump deixou claro que está ansioso pelo dia em que os EUA possam negociar a nível bilateral com o Reino Unido, com os benefícios que isso trará para ambos os países, fazendo cumprir a vontade do povo", declarou Bolton, antecipando a visita de Trump ao Reino Unido entre os dias 3 e 5 de junho.

Trump, republicano, milionário, nunca escondeu o seu apoio à ideia do Brexit. Bolton declarou que o chefe do Estado norte-americano "admira" Theresa May e "tem muito orgulho no seu trabalho". Sobre quem os EUA preferem para seu sucessor no cargo de primeiro-ministro do Reino Unido, Bolton, escusando-se a interferir diretamente, disse: "Cabe aos conservadores escolherem um novo líder e depois ver o que acontece com o processo negocial".

Esta quinta-feira de manhã, Trump indicou que, durante a sua visita ao Reino Unido, poderá, além de May e da Rainha Isabel II reunir-se com Nigel Farage e Boris Johnson, os quais classificou como "amigos" e "uns tipos porreiros", para se referir ao líder do Partido do Brexit e ao ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de May. Ambos brexiteers.

"O presidente tem relações com esses dois senhores, tal como tem com tantas outras pessoas, do ponto de vista empresarial. Ele tem sido um grande apoiante do Brexit e acho que ele mal pode esperar por negociar com um Reino Unido totalmente independente da UE", declarou Bolton, sublinhando: "Para além disto, neste momento, é delicado falar de lideranças".

Noutras declarações, citadas pela Reuters, Bolton afirmou que os britânicos ainda não tomaram a sua decisão final sobre a Huawei e a 5G. Recorde-se que, no início de maio, Theresa May, que abandona o N.º 10 de Downing Street a 7 de junho, demitiu o ministro da Defesa Gavin Williamson, por fuga de informação, sobre o acordo com a Huwaei para desenvolver a rede 5G.

Em causa, revelou a imprensa, está a informação veiculada pelo jornal Telegraph, que noticiou que a primeira-ministra acordou que a chinesa Huawei ajudasse a desenvolver a rede 5G do Reino Unido, apesar dos vários alertas feitos sobre os riscos de segurança nacional que isso pode vir a representar para o país.

Trump quer que os EUA ganhem a corrida do desenvolvimento da 5G e não admite que o seu país seja ultrapassado neste campo por qualquer outro. Não podemos permitir que qualquer outro país ultrapasse os EUA nesta poderosa indústria do futuro (...) simplesmente não podemos permitir que isso aconteça", disse Donald Trump, em abril, na Casa Branca.

O desenvolvimento do 5G tem sido marcado por polémicas relacionadas com a fabricante chinesa Huawei. Esta é acusada de espionagem industrial e outros 12 crimes pelos Estados Unidos, país que chegou a proibir a compra de produtos da marca em agências governamentais e que tem tentado pressionar outros países a excluírem a empresa no desenvolvimento das redes 5G.