Trump escolhe procurador que levou ao impeachment de Clinton para o defender

O presidente juntou três advogados de renome à equipa que o vai defender durante o julgamento do impeachment no Senado: Alan Dershowitz, Robert Ray e Kenneth Starr, cujo nome ficou nas memórias de todos os que seguiram o processo de destituição contra Bill Clinton em 1999.

"O impeachment tornou-se um terrível, terrível espinho no flanco da democracia americana e do governo americano desde o Watergate. Vamos pelo menos ter uma conversa razoável sobre outro tipo de resposta", afirmava Kenneth Starr numa entrevista em outubro ao conservador Byron York. Passados menos de quatro meses e com o processo de destituição contra Donald Trump a avançar na próxima semana para o Senado, o advogado, que enquanto procurador liderou a investigação que levou ao impeachment do presidente Bill Clinton por mentir sobre a sua relação com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, vai integrar a equipa de defesa de Donald Trump.

Segundo a CNN, Starr junta-se ao constitucionalista Alan Dershowitz e a Robert Ray, que lhe sucedeu no Office of Independent Counsel durante a Administração Clinton como últimas aquisições da equipa de defesa do presidente. Os três vão juntar-se à equipa liderada pelo conselheiro da Casa Branca Pat Cipollone e pelo advogado Jay Sekullow. São eles quem deverá apresentar as alegações em nome do presidente no Senado. A equipa legal deverá contar ainda com Pam Bondi, ex-procurador-geral da Florida e pela conselheira pessoa de Trump Jane Raskin.

A inclusão de Dershowitz parece a menos óbvia, uma vez que o advogado se opôs no passado ao impeachment de Bill Clinton e votou na mulher deste, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, nas presidenciais de 2016 quando foi a adversária de Trump. Mas a verdade é que o presidente já recorreu a ele durante a investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a alegada ingerência russa nas eleições.

Já Ray e Starr deverão ter um papel constitucional e histórico durante o processo.

Sem referir o nome de Starr, depois das notícias sobre a sua escolha para integrar a equipa de defesa de Trump, Monica Lewinsky já veio comentar no Twitter: "Este é definitivamente um dia 'estão a gozar comigo?'"

Nascido em Vernon, no Texas, e tão bom aluno que foi eleito pelos colegas como "o mais provável de vir a ter sucesso", Kenneth Starr formou-se em Direito nas universidades de Brown e Duke.

Como procurador, Starr concluiu que a afirmação de Bill Clinton de que não tinha tido relações sexuais com Lewinsky era mentira, dando lugar a um processo de impeachment contra o presidente por perjúrio. Na altura, o procurador ganhou tanta fama que partilhou com o presidente a capa da revista Time com a Pessoa do Ano 1998.

Terminado o julgamento no Senado, Bill Clinton acabou ilibado e Starr quase voltou ao anonimato. Quase, mas não totalmente, uma vez que não só representou a Blackwater, a empresa de segurança privada acusada de ter matado quatro civis desarmados em Fallujah, no Iraque, em 2004, como fez parte da equipa de defesa do milionário Jeffrey Epstein, acusado de violar menores e que acabou por se suicidar na prisão.

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