Trump elogia May: "Está a fazer um trabalho magnífico". Críticas foram fake news

No fim do encontro com a primeira-ministra britânica, o presidente norte-americano elogiou Theresa May, mas também Boris Johnson e mostrou-se aberto a qualquer acordo futuro de comércio com o Reino Unido.

A montanha-russa Trump prossegue o seu caminho. Depois das críticas a Theresa May veiculadas na entrevista ao The Sun, hoje foi dia de tecer loas à governante britânica.

Antes do encontro com May, o presidente dos EUA afirmou: "Nunca tivemos uma relação tão boa. Ontem estivemos a falar e hoje vamos falar mais sobre comércio e medidas antiterrorismo. As relações estão muito fortes."

À saída do encontro de trabalho, no qual se discutiram questões de segurança e defesa, bem como as parcerias económicas e comerciais, Trump voltou a elogiar Theresa May: "É uma negociadora dura, uma pessoa muito inteligente e capaz. Preferia tê-la como amiga do que como inimiga", afirmou na conferência de imprensa.

Ao ser confrontado com o que dissera de positivo sobre Boris Johnson, o ministro dos Negócios Estrangeiros que se demitiu no início da semana por discordar com a estratégia de May, Trump reafirmou que o antigo mayor de Londres daria um "excelente primeiro-ministro". Mas fez logo questão de afirmar que "esta mulher incrível" está a fazer um "trabalho magnífico"

As críticas ficaram para os media. Afirmou que as declarações que fez ao The Sun, nas quais pôs em causa a estratégia de Downing Street em relação ao brexit, são notícias falsas :"É o que se chama fake news", sentenciou.

Declarou que disse coisas "muito positivas" sobre a governante e que se quis desculpar a Theresa May, mas que esta desvalorizou a questão, ao menosprezar os media: "Não se preocupe, é só a imprensa".

As acusações prosseguiram na conferência de imprensa: acusou a NBC de desonestidade ao ouvir uma pergunta sobre as suas críticas a Theresa May e à NATO. Recusou-se a dar a vez ao jornalista da CNN. "A CNN são fake news", acusou.

Críticas à imigração e a Obama

No meio do discurso, Trump criticou também as políticas migratórias da Europa. "A imigração tem sido muito má para a Europa. Está a mudar a cultura, é algo muito negativo. Sei que não é politicamente correto mas vou dizê-lo e dizê-lo bem alto."
Theresa May não ficou em silêncio sobre o assunto: "O Reino Unido tem uma história de que se orgulha de acolher as pessoas que querem contribuir para o nosso país."

No final da conferência, ao ser questionado sobre a cimeira que vai ter com o homólogo russo, Trump aproveitou para criticar o seu ódio de estimação, Barack Obama. A anexação da Crimeia pela Rússia foi "um desastre de Obama" e que se estivesse no poder tal não teria acontecido.

"Parceria vai crescer"

Para lá das polémicas com o diz que disse, foi um Trump conciliador e que se mostrou "encantado" com a receção de Theresa May durante os dois dias da visita.
Para Trump, a relação entre os dois países está "no mais elevado nível de especial".

Uma firme Theresa May declarou que não existirão limitações para o Reino Unido fazer acordos comerciais uma vez concluída a saída da União Europeia. "Vamos fazer uma parceria comercial com os EUA e com outros", disse, e que a parceria anglo-americana vai crescer.

A ambição de May estende-se à Europa, ao dizer que quer bons acordos comerciais com EUA e UE. "Não é uma questão de e/ou, não vamos substituir um pelo outro."


O presidente norte-americano, que na mencionada entrevista pôs em causa um acordo bilateral devido à estratégia de May, disse agora que já vê as relações "triplicarem ou quadruplicarem" se um acordo sem restrições for aprovado.

"Não sei o que vão fazer [o Reino Unido e o acordo do brexit com a UE] mas o que quer que façam está bem para mim. É uma decisão vossa, desde que possamos fazer negócios juntos é tudo o que importa", afirmou Trump.

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