Trump em Londres: polémica, almoço com Isabel II e chá com Carlos

O presidente americano começou a sua visita ao Reino Unido lançando críticas ao "mayor" de Londres. Após almoço com a rainha, Trump e Melania depositaram flores no túmulo do soldado desconhecido. Jeremy Corbyn discursará esta terça-feira no protesto anti-Trump.

O presidente norte-americano, Donald Trump, foi recebido com 82 salvas de canhão à chegada ao Palácio de Buckingham, onde se encontrou com a rainha Isabel II para o primeiro ponto da agenda da visita de Estado de três dias ao Reino Unido.

À saída do helicóptero Marine One, pelas 12.15, o presidente e a primeira-dama foram recebidos pelo príncipe Carlos e pela duquesa de Cornualha nos jardins do palácio, que os aguardavam em nome da rainha. Isabel II recebeu-os já junto ao palácio.

O presidente dos EUA, a primeira-dama e o resto da família almoçaram com a rainha.

As 82 salvas de canhão desde Green Park servem para assinalar dois acontecimentos: 41 são para marcar a visita de Estado, enquanto os outros 41 são para comemorar o 66.º aniversário da coroação de Isabel II, no último domingo, 2 de junho. Por não haver salvas de canhão aos domingos, as duas ocasiões são assinaladas esta segunda-feira, em conjunto.

Depois, Trump e a rainha, junto com Melania, Carlos e Camilla, voltaram a sair para o alpendre, tendo-se ouvido o hino dos EUA. O presidente passou depois revista às tropas, na companhia do príncipe de Gales. No final, ouviu-se o hino do Reino Unido.

Após o almoço, a rainha mostrou parte da sua coleção privada de arte a Trump, nomeadamente itens relacionados com a história dos EUA. Entre eles estava a descrição de uma conversa entre o rei George III e George Washington, assim como fotos da visita de George VI a Washington D.C. em 1939, assim como fotos dele a jogar golfe.

Ainda antes, houve uma troca de presentes. A rainha ofereceu a Trump uma primeira edição de um livro de Churchill sobre a II Guerra Mundial, de 1959, assim como um conjunto de três canetas. Melania recebeu uma caixa de prata.

Trump e Melania seguiram depois de carro até à abadia de Westminster, onde o presidente depositou uma coroa de flores no túmulo do soldado desconhecido -- cujos restos mortais foram trazidos de França para serem depositados na abadia em 1920. A visita de Trump serve para assinalar o 75º aniversário do Dia D. Na visita à abadia, o presidente e a primeira-dama são acompanhados pelo príncipe André, assim como pelo deão de Westminster, o reverendo John Hall.

No livro de honra, Trump escreveu: "Muito obrigado. Foi uma grande honra [a palavra "honor" escrita à americana, sendo mais comum no inglês "honour"]. Lugar especial".

O ponto seguinte na agenda foi um chá com o príncipe Carlos na Clarence House, mas o ponto alto do dia será o banquete de gala no Palácio de Buckingham, oferecido pela rainha Isabel II para cerca de 170 convidados. Tanto a monarca como o presidente devem discursar ou dizer algumas palavras.

Chegada a Londres e críticas a Sadiq Khan

Passavam poucos minutos das 9.00 da manhã quando o presidente norte-americano Donald Trump e a sua mulher Melania acenaram à porta do avião, no aeroporto de Stansted, onde foram recebidos pelo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt, e o embaixador americano, Woody Johnson.

Ainda nem tinha aterrado e já Donald Trump estava a arranjar problemas com os ingleses. Num Tweet publicado a bordo do avião Air Force One, minutos antes de chegar a Londres, Trump criticou duramente Sadiq Khan, o presidente da câmara de Londres, pela sua atitude "desagradável" em relação à visita do chefe de Estado norte-americano.

Sadiq Khan tinha afirmado que o Reino Unido não deveria "estender a passadeira vermelha" a Donald Trump. O mayor de Londres também disse publicamente que a primeira-ministra deveria dizer ao presidente que ele "está errado numa série de assuntos", tais como as suas opiniões sobre as mulheres e sobre os imigrantes.

Em resposta, Trump afirmou ainda que Sadiq "tem feito um péssimo trabalho como mayor de Londres". "Ele é um falhado e deveria concentrar-se em combater o crime em Londres em vez de se focar em mim...", escreveu Trump. Além disso, lembrou que os EUA são "de longe o aliado mais importante do Reino Unido".

Noutro tweet, Trump comparou Khan ao "muito burro e incompetente mayor de Nova Iorque", Bill de Blasio, "que também fez um trabalho terrível". Este já respondeu a Trump, dizendo que considera um elogio ser comparado com o mayor de Londres, de quem é um grande fã. E diz que Khan é muto melhor do que o "Brexit Bojo", numa referência a Boris Johnson, que Trump considera um "amigo". O ex-chefe da diplomacia britânica oficializou hoje a sua candidatura a líder do Partido Conservador.

Um porta-voz de Khan respondeu entretanto aos ataques de Trump, dizendo que as mensagens que o presidente partilhou nas redes sociais são "mais sérias do que insultos infantis". E acrescentou: "Sadiq representa os valores progressistas de Londres e do nosso país, avisando que Trump é o exemplo mais notório de uma crescente ameaça de extrema-direita em todo o mundo, que está a pôr em risco os valores básicos que definiram as nossas democracias liberais durante mais de 70 anos".

O chefe da diplomacia britânica, que recebeu Trump na pista, disse que o presidente norte-americano "mencionou algumas das suas posições fortes sobre o mayor de Londres" que foram "consistentes com o que escreveu no Twitter". Hunt revelou que antes lhe disse que o Reino Unido tinha preparado "um grande espetáculo, porque a América é o nosso aliado mais próximo".

Em declarações à Sky News, Hunt lembrou que o problema começou porque Khan e outros membros do Partido Trabalhista "decidiram boicotar esta visita. E acho isso totalmente inapropriado".

Na verdade, a troca de insultos entre Khan e Trump não é de agora. Já em 2016 Donald Trump desafiou Sadiq Khan a fazer um teste de inteligência (QI) depois de o inglês ter dito que as opiniões de Donald Trump sobre o Islão eram de um "ignorante". Entre outras trocas de palavras menos simpáticas.

Quem também saiu em defesa de Khan foi o líder do Labour, Jeremy Corbyn, que boicotou o jantar de honra que a rainha irá oferecer a Trump esta noite. Corbyn apelou à participação nos protestos previstos para esta terça-feira, anunciando mais tarde que irá discursar essa ocasião.

"Os protestos de amanhã contra a visita de Estado de Donald Trump são uma oportunidade de mostrar solidariedade com aqueles que ele atacou na América, à volta do mundo e no nosso próprio país -- incluindo, ainda esta manhã, Sadiq Khan", escreveu.

Ataques à CNN

O presidente também não poupou ataques à estação de televisão norte-americana no Twitter. "Acabei de chegar ao Reino Unido. O único problema é que a CNN é a fonte primária de notícias disponível dos EUA. Depois de ver por um pouco, desliguei. Tudo negativo e tantas 'fake news', muito mau para os EUA", escreveu.

Trump foi mais longe a pedir que as pessoas deixem de subscrever a AT&T, dizendo que seriam obrigados a fazer grandes mudanças. Refere ainda que a CNN está a cair nas audiências. "Quando o mundo vê a CNN, fica com uma falsa imagem dos EUA. Triste!"

Visita de três dias

Na terça-feira, segundo dia de visita, a primeira-ministra britânica, Theresa May, organiza um pequeno-almoço de negócios com empresários dos dois países, após o qual recebe Trump na residência oficial, em Downing Street, para almoço, seguido por uma conferência de imprensa. Trump chega ao Reino Unido num momento delicado para a política britânica, com May a ter anunciado a demissão a partir de dia 7, confessando a sua incapacidade para fazer aprovar no Parlamento o seu acordo para o Brexit.

É neste dia que se espera uma grande manifestação no centro de Londres, onde os organizadores esperam que volte a figurar o chamado "baby blimp", um balão de seis metros que representa Trump de fralda e um telemóvel na mão. À noite, Trump oferece um jantar de agradecimento na residência do embaixador dos EUA, no qual o príncipe Carlos vai participar em nome da rainha.

Na quarta-feira, Trump, a rainha, o príncipe Carlos e outros chefes de Estado ou de Governo participam num evento comemorativo em Portsmouth, no sul de Inglaterra do 75.º aniversário do desembarque do Dia D das forças aliadas que contribuiu para a derrota da invasão nazi na II Guerra Mundial.

A acompanhar o pai nesta visita está Ivanka, que escreveu no Twitter. "Estou desejosa de fazer parte da delegação dos EUA para esta visita comemorativa", indicou.

Esta é a segunda visita de Trump a Londres, tendo a primeira sido uma visita de trabalho em julho do ano passado.

Nas redes sociais oficiais da rainha, o Palácio de Buckingham lembra que a monarca conheceu 12 presidentes norte-americanos, tendo recebido os dois últimos presidentes também em visitas de Estado.

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