Trump e a polémica dos feijões Goya na Sala Oval

Presidente norte-americano, assim como a filha Ivanka, é acusado de fazer publicidade à marca de produtos latinos, o que no caso dela pode representar uma violação das regras éticas do cargo.

No meio de uma campanha de boicote à marca Goya, que vende 2500 produtos latinos nos EUA, o presidente Donald Trump publicou nas redes sociais uma foto sua na Sala Oval com latas de feijão, leite de coco ou bolachas de chocolate com as letras brancas sobre fundo azul bem visíveis. A sua filha mais velha, Ivanka, foi ainda mais longe, partilhando o slogan da marca: "Se é Goya, tem que ser bom."

O problema é que a publicidade pode representar uma violação às regras éticas que proibem o uso do cargo para promover produtos ou negócios pessoais -- uma proibição que diz respeito apenas a Ivanka, que é conselheira do pai, não ao presidente. Mas, obviamente, as críticas não tardaram também contra Trump, havendo quem questionasse se, em plena pandemia do coronavírus, o presidente não tem algo mais importante a fazer do que promover a marca.

Mas qual é o interesse dos Trump nos produtos Goya, que é a maior marca nas mãos de latinos nos EUA?

Tudo começou com a visita do presidente executivo da empresa, Rober Unanue, à Casa Branca a 9 de julho, para a assinatura da Iniciativa de Prosperidade Hispânica, destinada a melhorar o acesso desta comunidade à educação e ao emprego.

No evento, Unanue -- neto do fundador -- não poupou nos elogios a Trump. "Sr. presidente. O que lhe posso dizer? Sinto-me abençoado de estar aqui no país mais próspero do mundo, o maior país do mundo. E estamos honrados de tê-lo como nosso líder". E continuou: "Fomos abençoados por ter um líder como o presidente Trump, que é um construtor. E foi isso que o meu avô fez. Ele veio para este país para construir, para crescer, para prosperar."

Mas os principais consumidores da marca, os latinos, não gostaram de ver Unanue defender um presidente que foi eleito com a promessa de construir um muro com o México para manter os "criminosos" e "violadores" longe dos EUA.

Um boicote aos produtos começou quase de imediato nas redes sociais, com a hashtag #Goyaway (um trocadilho com a marca e a expressão go away, ou vai-te embora). Entre os que participaram estava a congressisra democrata nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez e Julián Castro, que teve a pasta da Habitação na administração de Barack Obama.

Unanue defendeu-se, alegando que estavam a tentar calá-lo e que não disseram nada quando esteve na Casa Branca em apoio dos Obama. "Quando és chamado pelo presidente dos EUA, não vais dizer. 'Não, desculpe, estou ocupado, obrigado.' Não disse isso aos Obama e não vou dizer isso ao presidente Trump", afirmou na Fox News.

Desde então, o presidente já escreveu quatro mensagens no Twitter sobre os produtos Goya, começando com um simples: "Adoro os produtos Goya" no dia 10, tendo também partilhado a recusa e Unanue em pedir desculpa e depois outra mensagem onde diz que a empresa está "ótima" e que a campanha da "esquerda radical" e que as pessoas estão a comprar os produtos mais do que nunca.

Entretanto, foi a vez de Ivanka partilhar a sua foto com a lata de feijões Goya e o slogan da marca, em inglês e castelhano. No mesmo dia, Trump publicou a sua foto com os produtos em cima da mesa da Sala Oval.

Ocasio-Cortez respondeu de volta: "Se é Trump, tem que ser corrupto".

O jornalista da CNN Chris Cuomo, irmão do governador democrata de Nova Iorque Andrew Cuomo, atacou Trump no seu programa. "Digam-me como é que um presidente, no meio desta pandemia, tem tempo para esta merda? Estão a gozar comigo?"

Diante das críticas, Ivanka defendeu o seu direito de expressar o seu apoio pessoal a quem quiser. "Só os media e a cultura do movimento de cancelar criticariam Ivanka por mostrar o seu apoio pessoal a uma empresa que foi injustamente ridicularizada e boicotada por apoiar este governo -- um que sempre lutou e garantiu resultados à comunidade hispânica", disse a porta-voz da Casa Branca, Carolina Hurley, num comunicado citado pela AP. "A Ivanka tem orgulho desta forte empresa que é propriedade de hispânicos com raízes profundas nos EUA e tem todo o direito a expressar o seu apoio pessoal".

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