Trump diz que quem aborta deve ter "algum tipo de castigo"

Favorito ao lugar de candidato republicano à Casa Branca defendeu a ilegalização do aborto e a punição da mulher. Depois, tentou recuar, mas já não se livrou das críticas

O polémico milionário Donald Trump, que disputa a nomeação dos republicanos para ser candidato à Presidência dos Estados Unidos, defendeu hoje a imposição de "algum tipo de castigo" para mulheres que abortem.

Donald Trump, que se declarou a favor da ilegalização do aborto, salvo em algumas exceções, falava durante uma entrevista, que só vai ser divulgada ao final do dia nos Estados Unidos.

Depois de várias tentativas para não responder e quando questionado diretamente, Donald Trump disse: a "resposta é que deve haver algum tipo de castigo" para a mulher.

Donald Trump assegurou que ainda não definiu o "tipo de castigo" e reconheceu que se trata de uma questão "muito complicada".

Questionado sobre como se avançaria com a ilegalização da interrupção voluntária da gravidez, Donald Trump disse que provavelmente as pessoas voltariam a fazer o aborto em "lugares ilegais".

"Mas tens de o proibir", defendeu Trump, que se declarou "pró-vida", apesar de ter apoiado anteriormente o direito ao aborto.

Recuo e críticas

Após estas declarações, o candidato republicano recuou. Em comunicado no qual afirma querer esclarecer as suas afirmações anteriores, Donald Trump reitera ser "pró-vida", mas responsabiliza quem realiza tecnicamente o aborto e chama a mulher grávida de "vítima".

"Se o Congresso passasse legislação tornando o aborto ilegal e os tribunais federais admitissem essa legislação, ou se fosse permitido a algum estado abolir o aborto, o médico ou outra pessoa que realizasse esse ato ilegal sobre uma mulher seria legalmente responsabilizável, não a mulher. Neste caso, a mulher seria a vítima, tal como a vida no seu útero", lê-se na nota difundida pela comunicação social americana.

No comunicado, Trump recusa ainda ter mudado de opinião relativamente ao assunto: "A minha posição não mudou - tal como [o ex-Presidente] Ronald Reagan, sou pró-vida, com exceções".

Do lado democrata, não tardaram as reações às primeiras palavras de Trump, Hillary Clinton, no Twitter, chamou escreveu: "Quando se pensava que não podia ser pior. Horrível e revelador".

O rival da ex-primeira dama na corrida democrática às presidenciais, Bernie Sanders, foi mais lacónico: "Eis o vosso principal concorrente republicano, senhoras e senhores. Uma vergonha."

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