Trump demite no Twitter o Conselheiro para a Segurança Nacional

Presidente explica ter pedido a demissão a John Bolton, que a terá entregue esta manhã. Bolton, que estava no cargo desde abril de 2018, garante que foi ele quem pediu para sair.

"Informei John Bolton na noite passada de que os seus serviços já não são necessários na Casa Branca. Discordo fortemente da maior parte das suas sugestões, tal como outras pessoas na Administração, e por isso... pedi a John que entregasse a demissão, o que ele fez esta manhã. Agradeço a John os seus serviços. Nomearei um novo Conselheiro para a Segurança Nacional na próxima semana", escreveu Donald Trump em dois tweets seguidos.

O presidente dos EUA usou assim a sua rede social preferida para demitir mais um membro da Administração. Bolton, antigo embaixador dos EUA na ONU no tempo de George W. Bush, estava no cargo desde abril de 2018.

O próprio Bolton reagiu ao tuíte de Trump com o seu próprio tuíte. O Conselheiro para a Segurança Nacional, conhecido como um falcão devido às suas posições duras, garantiu que foi ele quem pediu a demissão na segunda-feira à noite e que o presidente lhe terá dito: "Falamos nisso amanhã".

O afastamento de Bolton surge num momento em que se multiplicam as notícias sobre divisões na Administração Trump em relação ao cancelamento do um plano de paz que incluía convidar os líderes talibãs, bem como o presidente afegão Ashraf Ghani, para irem aos Estados Unidos.

De acordo com os media americanos, Bolton e o vice-presidente Mike Pence terão sido contra um encontro entre Trump e os talibãs em Camp David. Este encontro, que tinha como objetivo fortalecer um acordo de paz no Afeganistão 18 anos depois da guerra que se seguiu à recusa dos talibãs, então no poder, de entregar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, aos EUA após os atentados de 11 de Setembro de 2001. Atribuídos à rede terrorista liderada pelo saudita, estes ataques causaram quase três mil mortos nos EUA.

Terá sido por pressão de Bolton e Pence que Trump cancelou o encontro com os talibãs, que vários responsáveis do Departamento de Estado consideravam essencial para estabilizar a paz.

A porta-voz da Casa Branca Stephanie Grisham garantiu à CNBC que não foi apenas o encontro com os talibãs a estar em causa na demissão de Bolton - "Foram muitas coisas", garantiu.

Bolton não é o primeiro alto responsável da sua Administração que Trump demite através de um tuíte. Em março de 2018 foi a vez do então secretário de Estado Rex Tillerson. "Mike Pompeo, diretor da CIA, vai tornar-se no nosso novo secretário de Estado. Vai fazer um trabalho fantástico! Obrigado Rex Tillerson pelo seu serviço! Gina Haspel vai tornar-se na nova diretora da CIA, e a primeira mulher. Parabéns a todos!", escreveu o presidente no Twitter.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?