Trump de volta à campanha menos de um mês após posse

Presidente norte-americano vai discursar amanhã num aeroporto da Florida, procurando o contacto direto com os apoiantes sem o filtro dos media que acusa de passarem notícias falsas

"Ele não devia estar a fazer campanha (...) Ele devia estar na Sala Oval, a trabalhar pelo emprego, a trabalhar para desenvolver os nossos militares, a trabalhar em bons acordos de comércio." A frase foi proferida a 5 de novembro, num evento na Carolina do Norte, por Donald Trump, então candidato, que acusava o presidente Barack Obama de perder tempo a fazer campanha pela democrata Hillary Clinton. Mas menos de um mês após ter chegado à Casa Branca, Trump prepara-se para aquele que já está a ser considerado a primeira iniciativa da campanha para a reeleição: um comício amanhã na Florida.

"Vamos voltar a pôr a América a trabalhar. Vamos pôr o povo antes do governo", lia-se no anúncio que Trump pôs no Twitter a publicitar o comício, com um link para o seu site de campanha para reservar os bilhetes. Ontem, num encontro com congressistas na Casa Branca, o presidente acrescentou: "Ouvi que já não há bilhetes, o que é bom, era pior se tivéssemos ainda muitos." E mais tarde, numa conferência de imprensa, voltou ao tema: "Soube que a multidão será enorme."

Trump discursará num hangar no Aeroporto Internacional Orlando Melbourne. "É num aeroporto, é num swing state [os estados indecisos que nas eleições tanto votam republicano como democrata e costumam decidir o resultado] e está a ser publicitado através do site de campanha", escreveu a revista The Atlantic, lembrando que o próprio porta-voz de Trump, Sean Spicer, disse tratar-se de um "evento de campanha".

Com este tipo de discursos, sem o filtro dos media que acusa de noticiarem informações falsas, Trump poderá passar a sua mensagem e manter um contacto mais próximo com os apoiantes. Outra forma de o fazer é através das conferências de imprensa, como a de ontem. Os jornalistas foram chamados à Casa Branca com pouco mais de duas horas de antecedência para Trump anunciar o novo nome para o Departamento de Trabalho, depois da desistência de Andrew Puzder, e falar das suas políticas.

O escolhido para a pasta do Trabalho é Alexander Acosta, professor de Direito na Florida com mais de uma década de serviço público (incluindo na agência governamental responsável pela implementação da lei laboral). É o primeiro hispânico nomeado por Trump e já ocupou três cargos que requereram a aprovação do Senado, o que poderá acelerar a sua confirmação - Trump acusa os democratas de estarem a atrasar o processo, faltando ainda luz verde para vários membros da administração. Puzder desistiu da nomeação com receio de falhar precisamente essa aprovação, devido a polémicas com os seus negócios.

Trump falou também aos jornalistas da saída do conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn. O presidente disse que pediu a sua demissão não porque ele falou com responsáveis russos sobre as sanções no período de transição, mas porque não o comunicou ao vice--presidente, Mike Pence. "Acho que ele não fez nada errado. De facto, acho que fez uma coisa certa", afirmou Trump. O presidente voltou, contudo, a criticar as fugas de informação confidencial que permitiram que esses factos chegassem aos media, dizendo que as investigará.

Trump prometeu ainda uma nova ordem executiva para tornar a América segura, depois de a proibição de entrada de pessoas de sete países de maioria muçulmana ter sido travada em tribunal. O Departamento de Justiça anunciou entretanto que não vai apelar da decisão, já que com a nova ordem executiva o presidente quer evitar uma "longa litigação" nos tribunais.

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