Trump acusado de despedir diretor do FBI para "encobrir" avanços na investigação à ingerência russa

James Comey descobriu pelos alertas noticiosos que tinha sido dispensado pelo presidente

Deixa a suspeita de um "encobrimento". Foi assim que Chuck Schumer, o líder dos democratas no Senado, falou do despedimento de James Comey, o diretor do FBI, que foi ontem, terça-feira, dispensado pelo presidente dos EUA.

Eleito pelo Estado de Nova Iorque, Schumer, que disse à imprensa que tinha recebido um telefonema de Trump a avisá-lo da saída de Comey, questionou a razão pela qual a demissão tinha ocorrido na terça-feira e questionou também se as investigações sobre as possíveis ligações entre a campanha eleitoral de Trump e a Rússia não estão a "ficar demasiado perto para o presidente" Trump.

"Se o procurador-geral adjunto não nomear um procurador especial independente, todos os americanos vão suspeitar, com razão, que a decisão para despedir o diretor Comey foi parte de um encobrimento", acrescentou Schumer.

E ainda que a maioria dos republicanos tenha apoiado a decisão de Trump, um congressista do Michigan, Justin Amash, escreveu no Twitter que o despedimento de Comey foi "bizarro".

No mesmo sentido, outro senador, o republicano John McCain, defendeu que o Congresso deveria criar uma comissão especial para investigar a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

Este senador, pelo Estado do Arizona, lembrou que há muito que defende uma comissão especial do Congresso para investigar a interferência russa e acentuou que a decisão de Trump de demitir Comey "apenas confirma a necessidade e a urgência de tal comissão".

McCain confessou-se desapontado pela decisão de Trump, classificou Comey como um homem íntegro e de honra, que liderou bem o FBI em circunstâncias extraordinárias.

Um segundo senador republicano, Bob Corker, do Estado do Tennessee, considerou que a demissão de Comey "levanta questões" e disse que "é essencial que as investigações em curso sejam livres de interferências políticas até à sua conclusão".

Recorde-se que o diretor do FBI, que na semana passada falou perante um comité do Senado sobre a investigação da polícia federal dos EUA aos laços entre a campanha de Trump e a Rússia, deveria na próxima quinta-feira comparecer perante o Congresso para discutir "ameaças globais".

E Trump, que tem criticado incessantemente a investigação do FBI, considerando-a "um embuste" e uma "charada" que consome dinheiro dos contribuintes, acabou por mostrar a porta ao próprio Comey, escrevendo-lhe uma carta dizendo-lhe que não o considerava capaz de "liderar de forma eficaz" o FBI. "É essencial que encontremos uma nova liderança para o FBI que restaure a confiança pública e a credibilidade na sua missão vital enquanto autoridade", frisou o presidente.

Segundo a imprensa internacional, a carta de despedimento formal de James Comey foi entregue em Washington por um antigo segurança da campanha de Trump, já depois de Comey ter descoberto pela comunicação social que tinha sido afastado do cargo.

De acordo o Los Angeles Times, Comey, que estava em LA para participar como orador num evento de recrutamento de pessoal organizado pelo FBI na sede do Sindicato de Realizadores de Hollywood em Los Angeles, foi apanhado de surpresa enquanto discursava para a equipa do FBI local.

Pouco depois, Keith Schiller, o antigo segurança de Trump que trabalhou para a equipa do atual presidente durante cerca de duas décadas, antes de se juntar à administração norte-americana, entregou em mão em Washington, na sede do FBI, a carta de despedimento.

O último presidente dos EUA a despedir um diretor do FBI foi Bill Clinton, que dispensou William Sessions em 1993 por irregularidades financeiras.

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