Trabalhadores migrantes são explorados no Golfo Árabe

Os trabalhadores do Bangladesh estão a pagar os valores mais elevados em pagamentos que ajudam a facilitar a sua migração.

Operários do Sudeste Asiático contratados para obras em países do Golfo Árabe estão a financiar os custos do recrutamento, enquanto empresas e clientes lucram com mão-de-obra barata, indica um estudo divulgado hoje.

O estudo do Centro Stern para Negócios e Direitos Humanos da Universidade de Nova Iorque concluiu que os trabalhadores gastam em média dez a 18 meses de salários em pagamentos que ajudam a facilitar a sua migração.

Uma descida no preço do petróleo tem abrandado o ritmo da construção no Golfo, causando impacto na capacidade do governo em pagar os custos das grandes infraestruturas, mas a forte procura de milhões de trabalhadores da construção civil com baixos salários continua a existir.

O Qatar está a investir na construção de estádios para o Campeonato do Mundo de futebol de 2022 e o Dubai está a preparar uma grande área que será o local da Expo 2020.

Para reduzir as despesas com a mão-de-obra em megaprojetos, um sistema de recrutamento pouco controlado está a passar os custos para os próprios trabalhadores, de acordo com o estudo do Centro Stern.

Os trabalhadores do Bangladesh estão a pagar os valores mais elevados. Os cidadãos do Bangladesh ganham apenas algumas centenas de dólares por mês no Golfo, mas estão a pagar taxas de recrutamento de entre 1.700 e 5.200 dólares (1.605 e 4.9118 euros), referiu.

Os migrantes indianos pagam menos, entre 1.000 e 3.000 dólares (944 e 2.833 euros), acrescentou.

O estudo descreveu a prática como um "modelo de negócio perverso".

Em vez de dar a oportunidade de um salário decente e melhores condições de vida, a indústria da construção no Golfo está a empurrar os trabalhadores para dívidas extremas e a agravar os abusos que estes enfrentam, como a incapacidade de mudar de trabalho ou de ir para outro país devido ao endividamento, sublinhou o estudo.

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