Atirador de El Paso publicou manifesto racista

Antes de entrar no supermercado Walmart Patrick Crusius divulgou um documento com quatro página contra os imigrantes. Matou 20 pessoas e feriu 26.

A "Verdade Inconveniente". Em quatro páginas publicadas online minutos antes de entrar no supermercado Walmart no sul de El Paso um jovem branco chamado Patrick Crusius justifica o que ia fazer: matar o maior número de pessoas que encontrasse. Entrou armado no recinto e matou 20 pessoas e feriu 26 antes de ser detido pela polícia.

Ainda não tinham recuperado deste ataque - considerado o oitavo mais sangrento nos EUA desde que há registos - e os norte-americanos já estavam a ver noticias sobre outro tiroteio com vítimas mortais. Desta vez na cidade de Dayton (Ohio) em que um atirador, que foi morto pelas autoridades, matou nove pessoas e feriu 16 junto a um bar.

Neste caso as motivações ainda estão a ser investigadas pelo FBI.

Em El Paso a decisão de Patrick Crusius foi clara: ele está contra o que chama "a invasão do Texas pelos hispânicos." Por isso, escreveu um longo texto com seis capítulos: "Sobre mim", "razões políticas", "razões económicas", "armas [as que usa]", "reações dos imigrantes" e "razões pessoais".

Foram estes escritos que a polícia encontrou e onde leu um manifesto contra os imigrantes e hispânicos, culpando imigrantes e americanos de primeira geração por tirar empregos e misturar culturas nos EUA.

O documento que a polícia acredita que o suspeito escreveu foi publicado no 8chan, uma plataforma de mensagens on-line recheada de conteúdo racista. Segundo a CNN, o documento terá sido posto online menos de 20 minutos antes de a polícia receber as primeiras chamadas sobre o tiroteio.

"Neste momento temos um manifesto desse indivíduo que indica um nexo com um possível crime de ódio", disse Greg Allen, chefe de polícia de El Paso, em conferência de imprensa.

Patrick Crusius é natural de Allen, perto de Dallas, no Texas, atuou sozinho e a arma que utilizou foi apreendida.

Para o FBI, no entanto, mais investigações são necessárias antes de determinar que o tiroteio em massa foi um crime de ódio. "Para já, é uma investigação de assassinato", disse Emmerson Buie, agente especial do FBI El Paso, citado pela CNN. "Há potencial para uma série de outras acusações, e estamos a analisar todas as provas para determinar isso", acrecentou.

Mesmo antes do primeiro balanço oficial, através de uma mensagem no Twitter, o Presidente dos EUA, Donald Trump, qualificou de "terrível" o tiroteio, referindo-se a "muitos mortos".

"Terrível tiroteio em El Paso. As informações são muito más, há referência a muitos mortos", referiu na mensagem. "Falei com o governador" do Texas, Greg Abbott, para lhe "transmitir o apoio do governo federal", acrescentou o inquilino da Casa Branca.

Da mesma forma, o vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, lamentou "a perda de tantas vidas inocentes", na mesma rede social.

Por seu lado, o governador de Nova Iorque, Adrew Cuomo, manifestou pesar com o "terrível tiroteio" e criticou Donald Trump por se curvar perante a National Rifle Association (NRA).

"Enquanto o Presidente se curva covardemente perante a NRA, a epidemia da violência armada está a destruir a nossa nação", disse.

Por cá, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou na noite de sábado uma mensagem ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, na qual lamenta o tiroteio.

"Perante o violento tiroteio ocorrido hoje [sábado] num centro comercial em El Paso, Texas, o Presidente da República enviou uma mensagem ao Presidente dos EUA, expressando condolências aos familiares das vítimas mortais e desejos de rápidas melhoras a todos os feridos", indica uma nota publicada no site oficial da presidência.

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