Teruel. A província onde nasce o Tejo elegeu um deputado

Um movimento de cidadãos que luta há duas décadas contra o abandono do poder central resolveu ir a votos. Teruel Existe ficou em primeiro lugar na província e elegeu um deputado e dois senadores.

A surpresa da noite eleitoral em Espanha não foi a vitória do PSOE, o colapso do Ciudadanos ou a ascensão do Vox, porque as sondagens já o previam. A surpresa foi a chegada ao Congresso dos Deputados e ao Senado de três ativistas da associação Teruel Existe, uma plataforma que exige ao poder central a construção de infraestruturas para combater a desertificação e envelhecimento desta província no interior do país.

"Como dissemos na campanha, vemos o assento parlamentar como uma ferramenta para exigir o cumprimento das promessas feitas e que foram planeadas, mas que nunca foram cumpridas porque Teruel foi sempre deixada de fora", disse o futuro deputado Tomás Guitarte, um arquiteto de 48 anos.

A lista Teruel Existe! recebeu 19.696 votos, correspondente a 26,7%, seguido de perto pelo PSOE, com 25,4%, e do PP com 23,6% -- também estas duas formações elegeram um deputado.

No entanto, Guitarte terá uma tarefa complicada em fazer-se ouvir em Madrid. Um deputado não permite ao Teruel Existe a formação de um grupo parlamentar.

Ainda assim, tão ou mais importante que os tempos de intervenção na assembleia e a participação em comissões, é a possibilidade de negociar o voto de investidura de um futuro governo em troca de garantias de que as promessas para aquela província no sul de Aragão se cumpram.

Em 2018 a província de Teruel, cujas principais cidades são Teruel e Alcañiz, contava 134.490 habitantes, aproximadamente menos 120 mil do que há cem anos. Nesse mesmo ano não nasceu um único habitante em quase metade dos 236 municípios desta província, que tem como atividades importantes a exploração mineira e a indústria do presunto.

Contra a desertificação

Foi a tentar lutar contra este movimento imparável de envelhecimento e desertificação rural -- que se verifica também em Zamora ou Soria -- que nasceu há 20 anos a associação Teruel Existe. Este movimento de cidadãos exige um investimento em infraestruturas como forma de contrariar o histórico abandono da região. Teruel foi a última província continental a inaugurar uma linha ferroviária, em 1901, e desde então se mantém sem estar eletrificada. Isto apesar das promessas dos sucessivos governos.

Em 2004 foi apresentado o Corredor Cantábrico-Mediderrâneo, um projeto de alta velocidade que iria ligar San Sebastián a Valência passando por Teruel. A cidade ficaria a menos de 40 minutos de Valência. Cinco anos depois, o projeto foi de novo apresentado. Mas os planos não passaram à realidade e a linha ferroviária deverá ficar por Saragoça.

Também no plano rodoviário a província onde se situa a serra de Albarracín, onde nasce o rio Tejo, exige a construção uma autoestrada planificada (A68) e o prolongamento de outra (A40), que liga Castela-Mancha a Cuenca.

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