Telemóveis dos americanos deram alerta presidencial. Mas afinal era um teste

Autoridades federais nos Estados Unidos fizeram primeiro teste a nível nacional de sistema de alerta presidencial via telemóvel. Houve muita gente que não gostou

Foi exatamente ao mesmo tempo em todo território dos Estados Unidos. Eram 14.18 em Nova Iorque (19.18 em Lisboa), ontem, quando os telemóveis de mais de 200 milhões de cidadãos americanos irromperam a tocar e a vibrar.

Foi o primeiro teste à escala nacional do sistema presidencial de alerta, o National Wireless Emergency Alert, destinado a futuros alertas em caso de desastres naturais, ou outros, no país, e o texto na mensagem era claro: "ISTO É UM TESTE do Sistema Nacional Wireless de Alerta. Não é necessária nenhuma ação".

O ensaio funcionou sem problemas, mas houve quem não gostasse, e as redes sociais encheram-se ato contínuo de comentários contra o alerta via telemóvel, considerado por muitos potencialmente controlador e invasivo da privacidade. Sem surpresa, Trump não foi poupado nos comentários.

FEMA em nome do presidente

O ensaio, que esteve programado para o mês passado, mas acabou por ser adiado por causa do furacão Florence, para que não houvesse possibilidade de equívocos, foi conduzido pela Agência Federal para a Gestão de Emergências que controla o sistema, como explica o New York Times.

Em caso de alerta real, por desastres naturais, ataques terroristas ou mísseis balísticos, teria de ser o presidente, ou alguém por ele designado diretamente, a dar a ordem para a emissão do alerta. Neste caso, por ter sido um teste ao seu funcionamento, a decisão coube à agência federal que o controla.

Muitos não gostaram, no entanto, de receber aquela mensagem de experiência. Desde logo porque ela não podia ser apagada nem bloqueada, a menos que o telemóvel fosse desligado.

Nas redes sociais, houve quem levantasse a questão de a utilização do telemóvel ser intrusiva e potencialmente controladora dos cidadãos, para já não falar dos que criticaram a possibilidade de o alerta ficar na responsabilidade de um presidente como Donald Trump, que usa o Twitter com demasiada frequência, como alguém escreveu nas redes sociais, segundo a BBC News.

Há ainda o problema dos erros inadvertidos, como sugerem outros. Na memória está bem presente ainda o falso alerta de míssil balístico emitido por erro no Havai, em janeiro deste ano, por um funcionário do sistema de alerta local que carregou no botão errado, como foi explicado na altura pelas autoridades.

Isso não evitou que durante 20 longos minutos a população do arquipélago vivesse um episódio de puro pânico, antes do erro ser desfeito.

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