Teerão desafia Trump com disparo de míssil balístico

Presidente iraniano garante que o seu país irá prosseguir o reforço do seu poder militar e acusa Washington de procurar um "pretexto" para abandonar acordo sobre o nuclear de 2015.

Menos de 24 horas depois de ter sido mostrado numa importante parada militar em Teerão um míssil balístico de alcance médio, a televisão iraniana noticiou a realização de um disparo deste tipo de arma, sem precisar, contudo, a data e o local onde decorreu o teste.

Na parada na capital do Irão, que assinalou mais um aniversário da invasão realizada pelo Iraque em 1980, o presidente Hassan Rouhani declarou que Teerão continuará a reforçar o seu poder militar, para garantir a defesa do país e como factor de dissuasão, "quer outros o queiram ou não". Mas garantiu que o Irão nunca usaria esse poder "para invadir um outro país ou território".

O discurso e o disparo do míssil Khoramshahr, com um alcance estimado de dois mil quilómetros, colocam o regime de Teerão claramente em rota de colisão com os Estados Unidos e a Administração de Donald Trump, após este ter assinado em agosto uma lei a impor sanções a pessoas e entidades envolvidas no programa de mísseis balísticos iraniano e a quem mantenha negócios com estas. Mais recentemente, no discurso na ONU, o presidente americano afirmou que as ações do Irão estavam a ser vigiadas e deixou no ar a hipótese de se desvincular do acordo de 2015 sobre o programa nuclear deste país. O acordo foi assinado entre o Irão e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia - mais a Alemanha, prevendo o fim das sanções àquele primeiro país em troca da suspensão do seu programa nuclear. Ora, o acordo não impede o Irão de desenvolver mísseis balísticos, mas o Conselho de Segurança da ONU aprovou, após a entrada em vigor daquele, uma resolução pedindo a Teerão que suspendesse o programa de mísseis "em condições de transportarem armas nucleares". O que os mísseis Khoramshahr estariam em condições de o fazer. Teerão contesta, garantindo que os mísseis em questão não foram concebidos para transporte de ogivas nucleares.

Segundo a Casa Branca, o Irão estaria a violar os termos do acordo de 2015. Uma posição que, vista de Teerão, é apenas a procura de "um pretexto", como o disse Rouhani falando um dia depois de Trump na 72.ª Assembleia Geral da ONU, para se desvincular daquele acordo.

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