Ted Cruz chama a Trump "cobarde" e "ranhoso"

Rudy Giuliani, antigo mayor de Nova Iorque, pronto a apoiar multimilionário. 50% das mulheres têm má imagem de Trump

A campanha das primárias democratas está a descer a níveis nunca vistos com a troca de insultos entre o senador do Texas Ted Cruz e o multimilionário Donald Trump, sendo visadas diretamente as mulheres de ambos os candidatos. O primeiro chamou "ranhoso" e "cobarde" ao segundo; este respondeu com ameaças de "revelações" sobre a mulher de Cruz.

Com Trump a ter ganho até agora em 20 estados surge cada vez como mais difícil impedir a sua nomeação como candidato dos republicanos às eleições presidenciais de novembro. Em número de delegados, o multimilionário tem 739 num total de 2472, necessitando de 1237 para obter a nomeação. Por seu lado, o senador do Texas tem 465 delegados e está a apostar o tudo ou nada nas primárias de abril em que tem, provavelmente, a última oportunidade para travar Trump.

Entre estas estão as de Nova Iorque, a 19 de abril, que representam 95 delegados. Estado onde está baseado o império de Trump e onde as sondagens o têm dado em vantagem. Por isto, a campanha de Cruz apostou nos últimos dias na revelação de contradições do adversário, recordando que, no passado, Trump apoiou democratas, como o atual governador do estado, Andrew Cuomo, ou um seu antecessor, Eliot Spitzer, que teve de se demitir na sequência de um escândalo de contornos sexuais, e eleitos atuais do partido democrático em ambas as câmaras do Congresso.

Cruz está sob pressão acrescida depois de o antigo mayor republicano de Nova Iorque, Rudy Giuliani, que ganhou forte reputação pelo modo como administrou a cidade (sendo candidato nas primárias de 2008), ter anunciado o apoio a Trump. Giuliani multiplicou ao longo da semana declarações nesse sentido. Só há "três candidatos reais à Casa Branca: Hillary Clinton, Donald Trump e Ted Cruz", prosseguindo desta forma: "Terei de apoiar um destes (...). Posso dar-vos uma pista: não será Hillary e duvido seriamente que seja Cruz. Mas ainda tenho de pensar um pouco", disse Giuliani na segunda-feira, falando a estudantes republicanos da Universidade de Colúmbia.

Nas primárias republicanas permanece um terceiro candidato, o governador do Ohio, John Kasich, com 145 delegados e apenas ganhou no estado que governa.

Perante este quadro, um grupo anti-Trump e que tem feito campanha por Cruz, Make America Awesome, divulgou no Twitter fotos da mulher do multimilionário, a ex-modelo Melania Knauss, realizadas em 2000 para a revista GQ, em que a então namorada do candidato republicano surgia praticamente nua. A sessão fotográfica fora realizada no interior do jato particular de Trump. Este reagiu também no Twitter, chamando "mentiroso" ao senador texano e ameaçando fazer "revelações" sobre Heidi Cruz, a sua mulher.

Num tweet seguinte, divulgou uma montagem, alegadamente feita por um seu apoiante, em que surgem lado a lado uma fotografia pouco elogiosa de Heidi e uma elogiosa de Melania, com a legenda "nem sequer é preciso fazer revelações... as imagens valem mil palavras".

Os media americanos referem que a única "revelação" que poderia ser feita sobre Heidi é que esta sofreu de "crises depressivas" no passado. A resposta não se fez esperar, com Cruz a afirmar que Trump não passa de "ranhoso hipócrita e cobarde", notando que "homens a sério, não atacam mulheres".

A perceção que resulta deste episódio confirma os dados de uma recente sondagem ao eleitorado feminino feita pela Ipsos/Reuters em que cerca de 50% das inquiridas diz ter "muito má imagem" de Trump, enquanto apenas 24% refere o mesmo para Cruz. Significativamente, Hillary é menos impopular que Trump, mas menos popular que o senador texano entre as mulheres americanas: 36% diz ter "muito má imagem" da candidata democrata.

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