Tailândia empenhada no combate à crise de obesidade entre monges

Obesidade atinge os templos tailandeses, onde os fiéis deixam doces e outra comida calórica como esmola. Taxa de obesidade nacional é de 45%

A tradição de todas as manhãs dar comida, conhecida como esmola, aos monges tailandeses precipitou uma crise de obesidade entre o clero. Arroz doce, bolos, massa, pudim, salgadinhos e sobremesas tailandesas revestidas com leite de condensado e creme de coco são algumas das calóricas comidas doadas pelos fiéis.

De acordo com o The Guardian, o número de monges com excesso de peso excede a média nacional, que tem uma taxa de obesidade de 45 por cento, dos quais 6,5% sofrem de diabetes, doenças cardíacas e/ou colesterol alto. O estilo de vida sedentário e os alimentos ricos em açúcar fazem da Tailândia um dos países mais gordos do continente asiático, ficando apenas atrás da vizinha Malásia.

Altos membros do Sangha - conselho budista -, académicos e representantes do governo tailandês reuniram-se recentemente numa tentativa de resolver urgentemente a crise da obesidade, descrita como "bomba-relógio".

"É claro que a obesidade está relacionada com hábitos não saudáveis. Por exemplo, 43% são fumadores e apenas 44% fazem exercício físico três vezes por semana, o que significa que a maioria não faz exercício algum", afirmou Supreda Adulyanon, CEO da agência de saúde governamental da Tailândia, a ThaiHealth. "Mas temos que entender as circunstâncias. Eles têm que consumir o que recebem, não podem escolher", admitiu.

Phra Promwachirayan, o abade do templo de Yannawa e presidente do conselho público de bem-estar da Tailândia, frisou que é "complicado" os monges se exercitarem. "Os monges devem exercitar-se, mas é difícil para nós. Podem exercitar-se para promover a saúde, mas não para tornar o corpo musculado como o de um pugilista. Não podem fazer levantamento de pesos e não podem correr, o que não é adequado, apenas andando rápido ou talvez meditar caminhando. O yoga também pode ser bom, mas não em público", justificou, permitindo correr em passadeiras, "mas apenas dentro de casa".

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