Suspeitos de matar Marielle afinal estavam a executar outra pessoa à mesma hora

Mad e Tonhão, assassinos de aluguer detidos nesta terça de manhã, apresentaram alibi insólito. Na mesma noite em que a vereadora e o seu motorista foram abatidos, eles matavam um empresário do jogo ilegal noutro ponto do Rio de Janeiro

A polícia do Rio de Janeiro deteve na manhã desta terça-feira dois membros da milícia conhecida como "Escritório do Crime" suspeitos do envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Mas essa hipótese foi descartada depois de ter ficado provado que os irmãos Leonardo e Leandro Gouvêa executaram outra pessoa nesse mesmo dia.

"Com isso, foi possível esclarecer que eles não participaram do homicídio da vereadora Marielle. Momentos antes da morte dela, eles estavam matando a vítima. Essas prisões foram importantes porque esclareceram esses dois homicídios, mas também tiraram de circulação criminosos que matavam por dinheiro", disse o delegado Daniel Rosa.

Leonardo, conhecido como Mad, e Leandro, cujo nome de guerra é Tonhão, confessaram ter morto naquela noite um empresário do jogo ilegal, Marcelo Diotti da Mata, no estacionamento de um restaurante na Barra da Tijuca, longe da região onde Marielle e Anderson forma mortos.

Mad e Tonhão cobravam entre 100 mil reais e 1,5 milhões de reais [entre cerca de 18 mil e 250 mil euros ao câmbio atual] pelas execuções.

A milícia Escritório do Crime, conhecida como umas das mais perigosas do Rio, era liderada por Adriano da Nóbrega, morto pela polícia numa região rural da Bahia em fevereiro. Nóbrega, que estava foragido, tem ligações próximas à família Bolsonaro: a mulher e a mãe dele eram assessoras de Flávio Bolsonaro, o primogénito do presidente, no gabinete deste na Assembleia Legislativa do Rio. Nóbrega foi distinguido com uma medalha por Flávio nessa casa e motivou discurso em sua defesa de Jair Bolsoanro, em 2005, quando este era apenas deputado federal, em Brasília.

Acusados do assassínio de Marielle e Anderson estão na prisão, desde março passado, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, ambos com ligações à Escritório do Crime. Mas a polícia acredita haver mais operacionais envolvidos e ainda tenta apurar quem foram os os autores morais do crime.

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