Suécia estima que vivam cerca de 2000 islâmicos radicalizados no país

Há ainda 600 a 700 elementos assinalados pelos serviços de segurança que circulam em movimentos de extrema-direita ou em grupos de extrema-esquerda

Cerca de 2.000 cidadãos radicalizados no 'jihadismo' islâmico vivem atualmente na Suécia, dez vezes mais do que em 2010, mas apenas um pequeno grupo é suscetível de cometer um ato violento, afirmaram hoje os serviços secretos suecos.

Entre os cerca de 3000 elementos conotados com movimentos extremistas e ações violentas que estão identificados pelos serviços de segurança suecos (Sapo), cerca de 2.000 estão ligados ao islamismo radical.

Os mesmos serviços indicaram que outros 300 indivíduos viajaram para a Síria e para o Iraque desde 2012, dos quais 140 regressaram ao território sueco.

Os restantes 600 a 700 elementos assinalados pelos serviços de segurança suecos circulam em movimentos de extrema-direita ou em grupos de extrema-esquerda.

Em 2010, os serviços de segurança suecos indicavam que o número de elementos com ligações ao islamismo radical identificados no país não ultrapassava os 200.

"É importante que todos, na Suécia, assumam as respetivas responsabilidades para conter esta tendência (...) antes que aconteça um atentado ou um ato violento que é temido por todos", declarou o chefe dos serviços de segurança suecos, Anders Thornberg, numa entrevista à agência noticiosa sueca TT.

Segundo Anders Thornberg, este aumento significativo da radicalização está relacionado sobretudo com a propaganda desenvolvida pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que integrou vários movimentos islâmicos radicais.

No passado dia 07 de abril, Estocolmo foi cenário de um atentado com um camião que provocou cinco mortos no centro da capital sueca.

O ataque foi perpetrado por um cidadão usbeque residente num bairro na capital sueca que manifestou nas redes sociais a sua simpatia para com o Estado Islâmico.

Muitos suecos têm sido mencionados nos últimos anos nas investigações relacionadas com os ataques terroristas cometidos na Europa, como foi o caso de Osama Krayem, detido pelo seu alegado envolvimento na preparação dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e de 22 de março de 2016 em Bruxelas.

Na mesma entrevista, o chefe dos serviços secretos suecos sublinhou, no entanto, que apenas um pequeno grupo destes islâmicos radicais assinalados pelas autoridades poderão ter a intenção e a capacidade de preparar e realizar um ataque terrorista.