Suécia é agora dos países europeus a ter menos casos diários e menos mortes

A média de novos casos em 14 dias é de 22,2 por cem mil habitantes, um número muito abaixo da maioria dos países europeus. Portugal tem 64,1 de média. As mortes estão agora perto do nível zero e o governo sueco anunciou nesta terça-feira o levantamento, no final do mês, das restrições nos lares de idosos.

A Suécia está a registar os números mais baixos de novos casos de infeção do novo coronavírus desde março, altura em que a pandemia explodiu na Europa. Apesar da controversa abordagem de não realizar confinamento e dos quase seis mil óbitos no total, os suecos têm agora uma das mais baixas taxas de contágio e um número de mortes residual.

A média a sete dias de novos casos do país escandinavo situa-se em 108, o nível mais baixo desde 13 de março. Dados da agência nacional de saúde sueca mostram que apenas 1,2% dos 120 mil testes na semana passada deram positivo.

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, o total acumulado de novos casos de 14 dias na Suécia é de 22,2 por cem mil habitantes, contra 64,1 em Portugal, 279 na Espanha, 158,5 na França, 118 na República Checa, 77 na Bélgica e 59 no Reino Unido, tudo países que impuseram rigorosos confinamentos entre março e maio.

Nesta altura, apenas 13 doentes com covid-19 estão em cuidados intensivos em hospitais suecos e a média de sete dias de mortes relacionadas com o coronavírus é zero.

O principal epidemiologista do pais, Andreas Tegnell, defende que a estratégia, por muitos criticada, foi a mais correta. "No final, veremos que diferença terá uma estratégia mais sustentável, que se possa manter por muito tempo, em vez da estratégia que significa confinar, abrir e confinar de novo", resumiu Tegnell, como o DN já noticiou.

À população de dez milhões foi pedido, em vez de ordenado, o respeito pelo distanciamento físico e o teletrabalho, se possível, o que em grande parte aconteceu. Mas as lojas, bares, restaurantes e ginásios permaneceram abertos e o uso de máscaras não foi recomendado até agora.

Tegnell insiste que o objetivo não era atingir imunidade coletiva, mas sim reduzir a disseminação do coronavírus o suficiente para que os serviços de saúde pudessem lidar com a situação. E refere, repetidamente, que a estratégia da Suécia pode ser a mais sustentável a longo prazo.

Jonas Ludvigsson, professor de Epidemiologia do respeitado Karolinska Institutet de Estocolmo, disse à imprensa sueca, citada pelo jornal The Guardian, que a "estratégia da Suécia tem sido consistente e sustentável. Provavelmente agora temos um risco menor de propagação em comparação com outros países".

Mas as mortes foram muito elevadas, quase cinco vezes mais do que em Portugal, com Andreas Tegnell a dizer que a alta taxa de mortalidade não está relacionada com a estratégia geral, mas sim com o fracasso em prevenir a disseminação do vírus nos lares e casas de saúde do país, onde ocorreu a maioria das 5851 mortes da Suécia. "É claro que algo correu mal", disse. No total de casos de covid-19, a Suécia registou 87 345.

A tempestade parece ter passado e, nesta terça-feira, os lares suecos receberam a notícia oficial de que irão reabrir ao exterior, com as visitas a serem permitidas a partir de outubro, depois de meses de proibição. A medida, imposta no início de abril, foi uma das poucas restrições obrigatórias da Suécia. Outra foi a proibição de reuniões públicas de mais de 50 pessoas, que ainda está em vigor.

A ministra da Saúde, Lena Hallengren, disse nesta terça-feira que as visitas aos lares de idosos voltarão a ser permitidas a partir de 1 de outubro, após a queda no número de novos casos desde junho.

"Estamos numa pandemia contínua, mesmo que as coisas estejam a seguir na direção certa de momento", disse Hallengren, enfatizando que quer "todos os suecos a assumirem a responsabilidade".

Das cerca de 3400 mortes registadas na Suécia entre janeiro e maio, quase metade ocorreu em centros de cuidados para idosos. No final de abril, a ministra reconheceu as mortes como "um fracasso para a sociedade como um todo". Um dos problemas foi a falta de pessoal nos lares e o governo já anunciou a intenção de contratar mais dez mil pessoas para trabalhar no cuidado de idosos.

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