Sri Lanka volta a adotar pena de morte para erradicar drogas

O Sri Lanka vai lançar um programa para erradicar a droga no país em dois anos, anunciou o Presidente, avançando que vai voltar a adotar pena de morte para o uso e tráfico de drogas.

"É necessário implementar a pena de morte para acabar com a ameaça da droga ilegal", afirmou o Presidente, Maithripala Sirisena, acrescentando que a suspensão da pena capital levou a um aumento do crime e à expansão do narcotráfico.

Maithripala Sirisena adiantou que os militares e a polícia vão lançar um "amplo programa" contra as drogas que visa erradicar o uso e o tráfico em dois anos.

Embora não tenha adiantado o dia em que passará a ser adotada a pena de morte, o Presidente garantiu que isso acontecerá "nos próximos dias", afirmando ainda que "a lista [das primeiras execuções] está pronta".

Os grupos de defesa dos direitos humanos da União Europeia já criticaram a medida anunciada e o Harm Reduction International, uma Organização Não Governamental que funciona como conselheira das Nações Unidas, referiu que não existe qualquer prova de que execuções consigam diminuir ou acabar com o uso ou o tráfico de drogas.

A última vez que o Sri Lanka executou um prisioneiro foi em 1976.Atualmente há 1.299 detidos no corredor da morte, incluindo 48 condenados por crimes relacionados com droga.

Ao mesmo tempo que o Presidente anunciava a nova política de combate às drogas, as autoridades do país realizaram uma espécie de cerimónia pública para destruir 770 quilogramas de cocaína.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.