"Somos sugados pela distante, insensível e fria Brasília"

Entrevista a Flávio Rebello, presidente do São Paulo Livre e da Aliança Nacional

Qual a força da Aliança Nacional neste momento?

Num mês já conseguimos a adesão de sete estados, no final de janeiro contamos com dez.

E têm realizado sondagens para saber qual a adesão popular?

No São Paulo Livre [SPL] fizemos um plebiscito com cidadãos votantes no estado, a que demos o nome de Sampadeus, realizado na capital, São Paulo, e em mais 17 cidades do interior e do litoral no qual à pergunta "você gostaria que São Paulo saísse da federação e se tornasse um país independente?"", 54% dos votantes responderam sim. Agora, no Rio vão fazer, com base no nosso know how, o PlebiRio, uma iniciativa semelhante, e nós em 2018 faremos um novo Sampadeus em 150 municípios com meio milhão de votantes previstos e, certamente, uma grande maioria de paulistas dispostos a dizer "adeus" ao Brasil.

Em que se baseia o movimento independentista, no caso de São Paulo?

Baseamo-nos em razões económicas, uma vez que somos sugados pela distante, insensível e fria Brasília: imagine se 92% dos impostos dos portugueses fossem para Bruxelas e sobrassem 8% para Lisboa gerir? É o que acontece connosco. Por isso nos comparamos, medidas claro todas as di-ferenças, aos cidadãos britânicos que votaram pelo brexit [no referendo de 23 de junho], eles não se sentiram representados por Bruxelas, assim como nós não nos sentimos por Brasília. Temos até moeda nova em perspetiva, o "ouro", representada em moedas e notas por grandes paulistas.

Os paulistas são prejudicados por serem brasileiros?

Repare, somos 22% da população brasileira, representamos 48% do orçamento do Brasil e, no entanto, temos apenas 13% dos deputados. Somos explorados economicamente e sub-representados politicamente mas quando nos queixamos logo nos chamam de coxinhas [calão para "burguês", "conservador", "betinho"] e de "paulitrouxas" [jogo de palavras entre "paulista" e "trouxa"].

Há motivações de outra ordem, além da económica e política?

Há razões também históricas: olhe, os portugueses são tratados no Brasil nas escolas muitas vezes como bobos ou covardes. Já nós, paulistas, temos orgulho da nossa herança portuguesa, os portugueses foram os desbravadores de São Paulo, do mesmo jeito que desbravaram o mundo, desbravaram também o nosso território, que chegou a ser 65% do tamanho do Brasil conhecido, nós fomos construídos quando Portugal era o mais importante país do mundo, o termo "paulista" é até anterior em oito anos ao termo "brasileiro".

De vez em quando, os paulistas são acusados de arrogância, de racismo, de um sentimento de supremacia em relação aos naturais de outros estados.

Não há nada de étnico no SPL, nós dividimos os paulistas em "paulistas de berço" e em "paulistas de coração", apenas isso, os paulistas são quem trabalha aqui, quem ama São Paulo, não apenas quem aqui nasceu, temos nordestinos, negros, sírios, haitianos, homossexuais, toda a gente, no SPL, não somos excludentes, pelo contrário, acreditamos na integração total.

* EM SÃO PAULO

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