Sofia, a princesa grega que não abandona Espanha

A família real grega teve que fugir por causa da II Guerra Mundial quando Sofia era criança e, já ela tinha casado há cinco anos com Juan Carlos, quando em 1967 viu como o irmão, o rei Constantino, teve que se exilar. Agora, o marido deixa Espanha no meio dos escândalos, mas ela fica no apoio ao filho.

O marido pode ter saído de Espanha no meio dos escândalos por causa da ex-amante e das alegadas contas em paraísos fiscais, mas Sofia -- uma princesa grega cuja família foi por duas vezes forçada ao exílio, numa delas ela era ainda criança -- continuará a viver no Palácio da Zarzuela em Madrid e a manter a sua agenda institucional.

"Filha, irmã, esposa, sobrinha, neta e mãe de reis", escreveu o jornal ABC (conservador e monárquico) sobre a mulher de Juan Carlos, lembrando que a sua atitude de "grande senhora", mesmo diante dos escândalos do marido, "fizeram com que a maioria dos espanhóis a valorizem mais". É apontada como a mais popular da família real, até à frente do próprio Felipe VI, e um dos ativos mais valiosos para a Coroa espanhola.

Sofia Margarida Vitória Frederica é a primogénita do rei Paulo I da Grécia e de Frederica de Hannover, tendo nascido no seio da Casa de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg -- no trono na Dinamarca e na Noruega. A princesa Sofia da Grécia e Dinamarca (o título oficial) nasceu a 2 de novembro de 1938 e com pouco mais de dois anos foi obrigada com a sua família a deixar o país natal por causa da invasão nazi.

A família real grega passou pelo Egito e pela África do Sul, tendo acabado depois no Reino Unido, já durante a guerra civil grega (que se seguiu à II Guerra Mundial). Em 1947, um ano após a restauração da monarquia e com a morte do irmão Jorge II, o seu pai, Paulo I, subiu ao trono.

O romance

Sofia tinha 15 anos quando, em agosto de 1954, conheceu Juan Carlos, um ano mais velho, a bordo do iate Agaménon. A mãe dela organizou a viagem com uma centena de membros de várias famílias reais a bordo, precisamente para estreitar os laços entre todos.

Foi em Londres que o romance ganhou forma, já em junho de 1961, no casamento do príncipe Eduardo, duque de Kent. O noivado foi anunciado a 11 de setembro desse mesmo ano, com o casamento a concretizar-se a 14 de maio de 1962, em Atenas -- pelos ritos católicos e pelos ritos ortodoxos gregos (religião que abandonou, abdicando do trono grego, para ser mais bem recebida na católica Espanha).

A primeira filha do casal, a infanta Elena, nasceu em dezembro de 1963, seguindo-se Cristina dois anos depois e Felipe, atual rei, a 30 de janeiro de 1968. No ano seguinte, o ditador Franco torna oficialmente Juan Carlos "príncipe de Espanha" e estabelece que subirá ao trono após a sua morte, o que virá a acontecer em 1975, com Sofia a tornar-se rainha Consorte.

Quando Felipe nasceu, já Sofia tinha visto a família obrigada a novo exílio. A 14 de dezembro de 1967, o irmão Constantino que tinha subido ao trono com apenas 24 anos após a morte do pai em 1964, foi obrigado a fugir de Atenas (exilou-se em Itália) por causa do golpe dos coronéis, que culminaria num referendo em 1974 no qual os gregos escolheram a república.

Em 1994, com o socialista Andreas Papandreou no poder, os gregos confiscaram todos os bens da família real, despojando o antigo rei do passaporte e da nacionalidade. Constantino só regressou à Grécia ao fim de 46 anos de exílio, em 2009.

"Não o abandones nunca"

Entretanto o casamento de Sofia não passava pelos melhores dias, com a imprensa espanhola a dizer que na prática estão separados há duas décadas por causa das constantes infidelidades de Juan Carlos -- que terão começado logo no primeiro ano de casamento. A rainha manteve contudo o seu papel, sabendo que um divórcio implicaria perder a sua posição e privilégio.

A jornalista Pilar Eyre, autora de vários livros sobre a família real, contou no seu blogue em julho que a decisão foi tomada tendo em conta um conselho da sua mãe, a rainha Frederica. "Não o abandones nunca, nunca deixes de ser rainha.... Queres ser como eu, uma rainha sem reino, uma pária que tem que viver da caridade dos outros e que teve que vir para a Índia porque ninguém me aguentava?", disse-lhe, durante uma temporada em que viveu na Índia.

Apesar de o rei ter alegadamente tido vários casos, foi a queda em 2012 durante um safari no Botwsana, onde estava com a princesa alemã Corinna zu Sayn-Wittgenstein (Larsen, após o divórcio), que acabou por acabar definitivamente com o tabu de falar da vida privada do rei. O monarca, que teve que ser transferido de urgência para Madrid para ser operado, pediu então desculpas públicas por estar numa caçada milionária numa época de crise económica.

O fim da relação com Corinna não calou os escândalos, até porque foi esta que acabou por revelar a existência das contas nos bancos suíços de Juan Carlos, tendo ela própria recebido dinheiro que alegadamente terá sido pago ao rei pelos sauditas por causa do negócio da ligação de alta velocidade entre Meca e Medina (que foi entregue a um consórcio espanhol). O caso está a ser investigado.

De férias em Marivent

Enquanto os espanhóis questionam onde está Juan Carlos (uns apontam República Dominicana, outros Portugal), Sofia mantém a tradição e está em Palma de Maiorca, no palácio de Marivent, onde há anos passa as férias de verão -- Felipe VI, Letizia, a princesa Leonor e a infanta Sofía são esperados a partir deste fim de semana.

Na quarta-feira, pela primeira vez desde que chegou à ilha a 27 de julho, foi vista no centro de Palma às compras com a irmã, a princesa Irene da Grécia, sendo aplaudida pelos transeuntes. No palácio está também a sua filha mais velha, Elena.

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