Sistema de estabilização do Boeing que caiu na Etiópia estava ligado

O relatório preliminar da Agência Federal de Aviação americana concluiu que o sistema MCAS estava ativo antes da queda avião da Ethiopian Airlines. Engenheiros do Boeing 737 Max já fizeram correções aos dispositivo que compensa os problemas aerodinâmicos do aparelho.

O relatório preliminar da investigação à queda do Boeing 737 Max, da Ethiopian Airlines, que despenhou em Adis Abeba, capital da Etiópia, causando a morte às 157 pessoas que estavam a bordo, indica que o sistema automático de estabilização do avião, designado como MCAS, foi ativado pouco antes da queda do avião, no passado dia 10 de março.

A revelação foi feita esta sexta-feira pelo jornal americano Wall Street Journal, que cita várias fontes, que indicam que esta é a conclusão preliminar formulada pela Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) depois de uma reunião de altos quadros para analisar o resultado das perícias às caixas negras do aparelho. Na prática, a questão que se coloca é por que razão o sistema não estabilizou o avião, que embateu de frente no solo.

As autoridades etíopes ainda não revelaram o resultado das suas investigações, que só devem ser conhecidos em meados de abril, mas o ministro dos transportes do país Dagmawit Moges já veio falar de "claras semelhanças" entre este acidente com outro ocorrido com também com um modelo 737 Max que se despenhou na Indonésia em outubro.

Este sistema MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System) foi instalado nestes aviões da Boeing para compensar os problemas aerodinâmicos causados pelas alterações ao peso e à localização dos motores deste modelo, mantendo assim a frente do avião estabilizada.

Após o acidente na Etiópia, os responsáveis da Boeing desenvolveram uma correção a eventuais erros deste sistema para que estas aeronaves pudessem voltar a operar. As mudanças foram apresentadas na passada quarta-feira na sede da empresa americana, em Renton, e preveem que os pilotos possam desativar este sistema mais facilmente em caso de se registar uma anomalia, evitando assim que o MCAS seja ativado automaticamente com base em informações falsas.

O voo 302 da Ethiopian Airlines iria fazer a ligação entre Addis Abeba e Nairobi, quando se despenhou seis minutos depois da descolagem, tendo morrido todas as 157 pessoas que iam a bordo.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.