Síria. União Europeia rejeita chantagem da Turquia com refugiados

A União Europeia rejeita o uso de refugiados como arma de chantagem pela Turquia, diz o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, depois de Ancara ter ameaçado "abrir as portas" aos milhões de sírios que estão no país

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, não poupou palavras na resposta que esta quinta-feira deu à Turquia, depois de o seu presidente, Recep Tayyip Erdogan, ter ameaçado "abrir as portas" e enviar milhares de refugiados para a Europa se Bruxelas criticar a ofensiva militar de Ancara contra as milícias curdas na Síria.

"A Turquia tem de perceber que a nossa maior preocupação é com o facto de as suas ações poderem provocar uma nova catástrofe humanitária, o que é inaceitável, e que nós nunca aceitaremos que os refugiados sejam usados como arma para nos chantagear", disse Tusk, sublinhando que as ameaças de Erdogan são "completamente despropositadas".

Tusk aproveitou, aliás, para reforçar que a posição da UE é de condenação da ação militar turca no nordeste da Síria, "que deve ser parada".

Num discurso proferido em Ancara, esta quinta-feira, Erdogan ameaçou que "se [os 28] tentarem definir a nossa operação como invasão, o nosso trabalho é fácil. Abrimos as portas e enviamos-vos 3,6 milhões de refugiados", ameaçou o chefe de Estado turco durante um discurso proferido esta quinta-feira, em Ancara.

A Turquia acolhe no seu território 3,6 milhões de refugiados sírios, tendo o fluxo de migrantes para a UE sido fortemente reduzido após os 28 terem chegado a um acordo com Ancara, em março 2016.

A ofensiva turca, de grande escala contra as milícias na Síria, começou há 48 horas e, segundo Ancara, tem como objetivo afastar do norte daquele país as milícias curdas designadas Unidades de Proteção Popular (YPG), que a Turquia como "grupo terrorista".

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