Rir. O truque do sírio Mohammad para a filha não ter medo das bombas

O homem de 32 anos convenceu a filha que o barulho das bombas é igual ao do fogo-de-artifício. E como tal devia rir quando ouvisse o estrondo. Salwa, três anos, seguiu o conselho do pai e as imagens estão a correr mundo.

Ataques aéreos e bombardeamentos diários levaram um pai sírio, Abdullah Mohammad, a criar uma nova maneira de ajudar a filha Salwa a adaptar-se aos sons da guerra. O pai incentiva a criança de três anos a simplesmente rir sempre que ouvir o som de bombas ou mísseis.

Em imagens de vídeo, Mohammad é visto a rir com a filha quando o som de uma aparente explosão é ouvido à distância. O sírio disse que muitas crianças sofrem dificuldades psicológicas e stresse devido aos ataques aéreos diários. Conseguiu convencer a filha de que os barulhos são semelhantes aos sons de fogo-de-artifício e que não são de temer.

No vídeo, Mohammad diz: "Isso é um jato ou uma bomba?" A resposta de Salwa é: "Uma bomba. Quando chegar, vamos rir". Logo depois, quando ouvem a explosão, Salwa ri. "Isso faz-te rir?", pergunta Mohammad. "Sim, é engraçado", diz a filha.

Os ataques aéreos levaram Mohammad e a família para longe da sua cidade natal, Saraqib, no noroeste da Síria, forçando-o a morar na casa de um amigo, com a sua mulher e filha, em Sarmada.

O homem de 32 anos disse que esperava o regresso da normalidade e uma educação adequada para a sua filha num futuro próximo.

Apoiadas por fortes ataques aéreos russos e auxiliadas por milícias pró-iranianas, as forças do governo intensificaram, desde o início do ano, a campanha para recuperar Aleppo e partes da província vizinha de Idlib, no extremo noroeste da Síria, onde os insurgentes anti-Assad mantêm as últimas fortalezas.

A Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu a criação de corredores humanitários no noroeste da Síria, expressando horror com a ofensiva do regime que é apoiada pela Rússia.

A deslocação em massa de civis causada por esta ofensiva está a provocar temores de uma catástrofe humanitária. Cerca de 900 mil pessoas foram expulsas das casas e abrigos em menos de três meses. A onda de deslocados é a maior desde o início da guerra civil, há quase nove anos, e o maior êxodo de civis desde a II Guerra Mundial.

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