Sete mulheres e quatro crianças entre os 12 mortos de naufrágio

Autoridades já resgataram 21 pessoas com vida e dizem haver relatos de estarem 65 pessoas a bordo.

Pelo menos 12 pessoas, entre elas sete mulheres e quatro crianças, morreram e outras 20 estão desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação com dezenas de rohingyas que tentavam chegar ao Bangladesh, indicaram esta segunda-feira fontes policiais.

O comandante da zona oriental da Guarda Costeira do Bangladesh, capitão Shahidul Islam, disse, em declarações à agência de notícias espanhola EFE, que até ao momento foram resgatadas 21 pessoas com vida após o naufrágio, que ocorreu no domingo na zona de Majer Char, no Golfo de Bengala.

"Não temos a certeza quanto ao número de desaparecidos, mas há relatos de que estavam a bordo cerca de 65 pessoas", indicou Islam, enquanto outra fonte policial indicou ter relatos de que a embarcação transportava 50 passageiros.

Por outro lado, as autoridades do Bangladesh recuperaram outros três cadáveres de pessoas que viajariam num outro barco que também naufragou a 08 deste mês, pelo que o número de mortos no acidente subiu para 34, 18 dos quais crianças.

Fonte do Gabinete de Informações do distrito de Cox's Bazer (sudeste do Bangladesh), o número de corpos recuperados desde 25 de agosto subiu para 183, embora o número real de rohingyas mortos no mar seja muito superior.

O êxodo de rohingyas que fogem para o Bangladesh continua intenso, quase dois meses depois de o exército birmanês ter lançado uma operação militar no estado de Rakhine, no oeste da Birmânia, em resposta a uma série de ações de insurgentes, iniciada a 25 de agosto.

A campanha militar foi descrita pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos como "uma limpeza étnica de manual" e em que foram incendiadas centenas de povoações.

A 08 de outubro, a ONU elevou para 519.000 o número de rohingyas que chegaram ao Bangladesh em fuga da violência na Birmânia.

Antes da campanha militar, estimava-se que cerca de um milhão de rohingyas habitasse em Rakhine.

A Birmânia não reconhece os rohingyas como uma comunidade do país e considera-os cidadãos do Bangladesh, enquanto Daca, onde já antes da crise viviam cerca de 300.000 membros desta minoria, tratou-os sempre como estrangeiros e, até agora, só pouco mais de 30.000 foram reconhecidos como refugiados.

A violência e a discriminação contra os rohingyas intensificaram-se nos últimos anos: tratados como estrangeiros na Birmânia, um país mais de 90% budista, são a maior comunidade apátrida do mundo.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada, em 1982, têm sido submetidos a muitas restrições: não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais).

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