Três crianças entre os sobreviventes encontrados debaixo da neve do hotel soterrado

Dois grupos de sobreviventes localizados até agora, um com seis e outro com cinco pessoas, revela a imprensa italiana

O porta-voz dos bombeiros italianos, Luca Cari, disse na tarde desta sexta-feira que, até ao momento, foram encontradas dez pessoas com vida sob os escombros do hotel Rigopiano, em Farindola, destruído por uma avalanche na passada quarta-feira. Não foi esclarecido quantos sobreviventes já foram, ao todo, retirados do local.

No entanto, há uma espécie de "caos" nos números dos sobreviventes encontrados e resgatados: o correspondente do La Repubblica relata no Twitter que as várias entidades envolvidas nas operações de busca estão a comunicar versões diferentes do número de pessoas encontradas com vida. A Proteção Civil, por exemplo, garante que há cinco sobreviventes salvos e cinco por resgatar. Já a Guardia di Finanza refere que há seis salvos e cinco a aguardar resgate.

Segundo a imprensa italiana, entre os sobreviventes encontram-se três crianças. A única certeza até agora é que dois dos sobreviventes já foram resgatados, os primeiros a ser transferidos para o hospital. Trata-se de uma mulher e uma criança, mãe e filho.

As imagens do momento do salvamento de mãe e filho foram divulgadas pelos bombeiros. Primeiro é retirado o rapaz e, de seguida, os socorristas retiram a mãe, que lhes terá indicado que a outra filha se encontrava numa sala ao lado. São mulher e filho de Giampiero Parete, o sobrevivente que deu o alerta no dia da avalanche.

"Logo que nos viram ficaram felicíssimos mas não conseguiram falar", revelou Marco Bini, um dos membros da equipa de resgate, ao La Repubblica.

O Corriere della Sera conta que o primeiro grupo de seis pessoas localizado hoje de manhã estava protegido na zona da cozinha do hotel e terá mesmo conseguido acender uma fogueira para se aquecer, o que lhe permitiu sobreviver até 43 horas após a avalanche. Os sobreviventes foram ainda capazes de encontrar comida para se alimentarem. Os socorristas ter-se-ão apercebido do fumo e do cheiro do lume, mas foram os cães pisteiros os primeiros a dar sinal de que se encontravam ali sobreviventes. Um segundo grupo de sobreviventes terá dado sinal de vida poucas horas depois.

A equipa no local pediu a intervenção de helicópteros, que descolaram de Pescara com médicos, cobertores e outros materiais para prestar o auxílio necessário, indica o jornal italiano La Repubblica. Foram estes helicópteros que transportaram os sobreviventes para o hospital.

"Foi lindíssimo, não acreditavam no que viam e abraçavam-nos", contou Marco Bini, assinalando porém que será agora muito difícil continuar a penetrar na neve e nos escombros do hotel destruído pela avalanche: "existe o risco de que partes da estrutura possam colapsar". A subida das temperaturas também aumenta a possibilidade de ocorrerem novos deslizamentos de neve, tornando o local extremamente perigoso.

O primeiro contacto com os sobreviventes foi estabelecido pouco depois das onze da manhã - menos uma hora em Portugal continental.

As buscas para encontrar os cerca de 30 desaparecidos que se encontravam no hotel de luxo quando a estrutura foi atingida pela avalanche prosseguiram durante toda a noite: apesar de ter parado de nevar, uma pequena subida da temperatura, acima dos zero graus, fez com que a neve que já caiu se tornasse mais pesada, dificultando as operações. Os socorristas têm usado turbinas para empurrar a neve, que chega a atingir os cinco metros de altura. De todo o hotel, apenas a piscina e a zona do spa ficaram intactas.

De acordo com o La Repubblica, até agora foram retirados três cadáveres dos escombros e um quarto foi localizado. O número de desaparecidos continua incerto, entre funcionários, hóspedes e visitantes do Rigopiano que na quarta-feira aguardavam a passagem do limpa-neves para abandonarem o local.

"Aqui unem-se dois cenários distintos: a avalanche, que enfrentamos sempre, e uma catástrofe natural como um mini terramoto. Nunca vi nada do género", disse ao jornal Walter Milan, porta-voz dos serviços de socorro alpinos, que estão no local. Apesar dos esforços, à medida que as horas passam diminui a esperança de encontrar sobreviventes. "Em teoria, mesmo nestas condições meteorológicas muito difíceis, se se criaram sacos de ar onde consigam abrigar-se no hotel destruído, poderão sobrevier dois, talvez três dias. Mas é difícil", explicou Milan.

Investigação de homicídio por negligência

O governo italiano reúne-se esta sexta-feira e espera-se que declare estado de emergência no local. Entretanto, foi aberta uma investigação no Ministério Público de Pescara, perante as acusações de que houve demora na prestação de auxílio. Os primeiros socorristas só chegaram ao local na madrugada de terça-feira, cerca de onze horas depois de a avalanche ter ocorrido.

Giampiero Parete, um dos dois homens que sobreviveram à avalanche porque se encontravam no exterior do hotel, tinha ido ao carro buscar medicamentos para a mulher e foi ele o primeiro a pedir ajuda: ligou ao patrão, Quintino Marcella, pelas 17:40 de quarta-feira, mas as autoridades levaram duas horas a responder ao alerta de Marcella, revelou o próprio numa entrevista à televisão estatal italiana, explicando que foi difícil para acreditarem naquilo que contava.

Ainda de acordo com Marcella, que falou entretanto com Parete, todos os hóspedes do hotel já tinham pago e estavam prontos para abandonar o local, aguardando apenas a passagem do limpa-neves que deveria ter chegado ao estabelecimento pelas 15:00 de quarta-feira. Porém, a chegada do limpa-neves foi adiada para as 19:00 e, nesse intervalo de tempo, ocorreu a avalanche, que soterrou todas as pessoas que se encontravam dentro do edifício.

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