Secretaria da Cultura do Brasil acusada de discriminar "rock" em prémio

Organismo ligado à arte é liderado por maestro que considera que o ritmo "potencia a indústria do aborto". Ele rebate acusações de diferenciação. Regina Duarte ainda não disse "sim" mas já nomeou reverenda como adjunta.

A Fundação Nacional da Arte (Funarte) apresentou nesta quinta-feira um edital para premiar bandas com instrumentos de sopro, chamado Prémio de Apoio a Bandas de Música 2020. O concurso é aberto para a maioria dos estilos mas veta, por exemplo, o rock.

O veto causou controvérsia nas redes sociais do Brasil porque o presidente da Funarte, o maestro Dante Mantovani, é da opinião de que "o rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto". E que os Beatles e Elvis Presley, por exemplo, conspiraram - em parceria com a União Soviética - para destruir a moralidade, a cultura ocidental e até o capitalismo.

Mantovani foi nomeado para o organismo por Roberto Alvim, o secretário da cultura demitido na semana passada por copiar discurso do ministro nazi Joseph Goebbels.

A Funarte defendeu-se da acusação de discriminação ao rock, em comunicado. "As alegações [...] não correspondem à realidade [...] porque esse edital serve à distribuição de instrumentos apenas para bandas civis 'tradicionais', e não para outros tipos de bandas," explica o texto. "A redação atual é quase igual nas três versões anteriores, 2007, 2010 (...) e 2012, não sendo absolutamente uma novidade da gestão Dante Mantovani".

No texto de 2013, entretanto, são especificados os tipos de banda que poderiam participar mas não que "bandas de rock" estavam proibidas, como na atual versão do edital, noticia a Rolling Stone, edição Brasil, revista especializada em música.

Ao que tudo indica Dante Mantovani vai passar a responder a Regina Duarte, a mais do que provável futura secretária da cultura - por enquanto ela ainda se diz "a noivar com o governo" devendo aguardar o regresso do presidente Jair Bolsonaro de viagem à Índia para tomar decisão.

Mas um sinal de que a decisão está praticamente tomada é a notícia de que a atriz já convidou a reverenda Jane Silva, presidente da Associação Cristã de Homens e Mulheres de Negócios e da Comunidade Internacional Brasil-Israel, para sua adjunta.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG