"Se fechasse os olhos, discurso de Trump podia ser de Obama, Bush, Clinton ou Reagan"

Pegando nas palavras de Hillary Clinton no seu discurso de concessão, o embaixador dos EUA em Lisboa, Robert Sherman, afirmou hoje que é preciso ter uma mente aberta em relação a Donald Trump como presidente. E lembra que sentar-se na Sala Oval muda a perspetiva.

Num encontro com jornalistas portugueses, o embaixador Robert Sherman sublinhou a importância de ter uma "mente aberta" em relação ao presidente eleito Donald Trump, referindo uma expressão que Hillary Clinton usara no seu discurso de concessão.

Em Portugal desde abril de 2014, Sherman recordou que em democracia é preciso respeitar a vontade das pessoas e que nos Estados Unidos, as transições de poder são "pacíficas" por muito "tumultuosa" que a campanha tenha sido. "Nos EUA não fazemos transições sob ameaça das armas, fazemo-lo nas urnas e apoiamos a decisão das pessoas", garantiu.

Para o embaixador, foi importante que no seu primeiro discurso depois da vitória das eleições de dia 8, Trump tenha referido que vai ser o presidente de todos os americanos, até os que não o apoiaram. E garantiu estar ansioso por ver o que ele vai fazer quando chegar à Casa Branca. "Se fechasse os olhos podia ouvir um discurso que podia ter sido dado pelo presidente Obama, pelo presidente Bush, pelo presidente Clinton ou pelo presidente Reagan. Foi exatamente o tipo de discurso que um presidente eleito deve dar: conciliatório, inclusivo. É um bom início para a transição para uma nova administração", explicou

Nomeado por Barack Obama, em cuja campanha presidencial trabalhou em 2012, Sherman está convicto que a retórica da campanha é diferente da retórica quando se é presidente e que "a visão que se tem detrás da secretária do presidente na Sala Ovala é diferente da que se tem na campanha".

Quanto à imagem dos EUA no mundo, o embaixador manteve a ideia que "não sabemos como é que o presidente Trump planeia governar", mas no que se refere à relação entre os EUA e a Europa, "mantém-se forte há muitos anos" e Sherman espera que assim continue. E com Portugal, a situação não será diferente, com a relação a manter-se forte, "mais forte até".

Perante o facto de Hillary Clinton ter tido mais votos populares mas ter perdido as eleições no Colégio Eleitoral, Sherman está convencido que isso não irá mudar o sistema político americano que está "enraizado na Constituição", mas admite que se o país fosse criado hoje talvez escolhesse um sistema diferente.

Sobre o seu futuro, Sherman - que durante o Europeu de futebol se tornou famoso pelos vídeos de apoio à seleção portuguesa - recordou que sempre que entra um novo presidente, os embaixadores são convidados a apresentar a demissão. E garantiu que quando chegou a Portugal sabia que "tinha uma data de chegada e uma data de partida", recusando especular sobre um eventual pedido de Trump para ficar em Lisboa.

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